EU CELEBRO A VIDA.EU AMO A VIDA.EU FOTOGRAFO A VIDA !!!!!!!
ou, COMO EU DEIXEI DE SER UM CORRESPONDENTE DE GUERRA.
Ontem eu assisti a um doc na TV Cultura sobre um fotojornalista sensacional que cobre as guerras e os conflitos étnicos ao redor do mundo para a revista alemã “Stern”. James Nachtwey ,de um modo peculiar, fotografa as atrocidades das guerras e denúncia ao mundo a imbecilidade e a insensatez dos envolvidos nos conflitos. Suas fotos são de arrepiar e de deixar o espectador atônito. Eu fiquei muito chocado com o que eu vi. As imagens ficaram na minha cabeça o dia inteiro…Um pesadelo acordado… Isto me fez refletir um pouco sobre o meu passado…..Eu era um jovem com ideais e concepcões libertárias ( Chê era meu ídolo). Eu tinha o sonho de ser um correspondente de guerra no Vietnã . O meu orientador nas artes fotográficas , Jean Solari, era um dos grandes fotógrafos da extinta revista Realidade . O seu colega , o jornalista e repórter José Hamilton Ribeiro, fazia dupla com ele e era muito conceituado na época. Um belo dia, José Hamilton, resolveu junto com a Editora Abril, ir cobrir a guerra do Vietnã. Na sua chegada ao “front” de batalha, ele pisou em uma mina terrestre que explodiu , levando um pedaço da sua perna que infelizmente teve que ser amputada. Para mim e para uma grande parcela dos leitores da revista, foi um trauma tremendo. Meu sonho acabara de ruir. Eu definitivamente não queria morrer ou ser mutilado em uma guerra. Daquele dia em diante, eu me voltei contra as tragédias e o lado negro da vida. Eu passei a fotografar a vida e a enaltece-la. Tenho a consciência de ser um positivista e de preferir fotografar o lado branco da vida, o lado da luz…. A foto acima representa bem o meu estado de ser. Ela foi clicada em um rio de degelo na Cachemira, no território de guerra entre a Índia e o Paquistão, nos contrafortes dos Himalaias.Naquele dia, no intervalo de um armistício, indo contra os meus princípios, tentei várias vezes mirar a minha câmera para fotografar os blindados do exército da Índia que se camuflavam no meio da vegetação, mas vislumbrava de viés pela minha teleobjetiva que era eu que estava sendo mirado pelas metralhadoras e pelos fuzis AR 15.Algo falou dentro de mim para desistir disso porque poderia me dar mal nessa situação. Virei as costas para o arsenal bélico e caminhei até o pequeno riacho e vi a alegria da molecada brincando nas águas geladas. Fiz alguns cliques e escolhi esse para homenagear `a vida,`as crianças e a mim mesmo…. É isso.
Picture by Franklin Nolla.
PS- Algumas horas após ter escrito esse texto, recebi a notícia de que dois jornalistas ocidentais haviam sido mortos na cidade sitiada de Homs na Siria pelas forças do presidente Bashar Al-Assad. Marie Colvin,americana, e Remi Ochlik, francês, eram veteranos repórteres de guerra no oriente Médio e em outros locais de conflitos. A casa em que estavam abrigados em Homs fora severamente bombardeada por morteiros e mísseis. Segundo relatos da jornalista, antes de morrer , a população civil de Homs, estava sendo massacrada pelos bombardeios e atiradores de elite das tropas leais ao governo.

Franklin,
Parabéns pela escolha, parabéns pela fotografia da molecada, valeu por um milhão de palavras. Na vida, nem sempre ser revolucionário é pegar em armas e sair atirando….temos o nosso papel nesta guerra, e nosso papel será sempre o de celebrar a vida. Parabèns!!!
27/02/2012 às 11:17