All content @ by Franklin Nolla

Aventura

É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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A morada de Macunaíma (Mt Roraima)

Para os índios da tríplice fronteira, Brasil, Venezuela e Guiana, o monte Roraima é a morada do deus Macunaíma. O local é sagrado , místico e repleto de lendas, e como em  todo lugar mágico , como nos contos dos irmãos Grimm, há sempre uma luta  entre o bem e o mal. Este foi o meu  último e dificílimo trekking ,  repleto de  “perrenques”  horríveis …… Mas …….o que passou, passou …..e hoje  sinto saudades do misterioso Mt Roraima, com suas chuvas repentinas e calor escaldante, com sua beleza estonteante e sua natureza peculiar e primitiva, com as nuvens entremeando os paredões, ora belos e ora sombrios, que parecem evidenciar que a qualquer momento pode haver uma aparição do deus deles, o Macunaíma.


Voar é preciso ou no meio dos prédios (Between Buildings).

Para mim , voar é o máximo. Sou afortunado por isso. Deus me deu a chance de trabalhar com fotos aéreas e realizar um dos meus maiores sonhos da minha vida. Voar. Antes do feriado eu sobrevoei São Paulo por duas rápidas horas, talvez para os clientes , duas longas horas. Para  mim nem bem subi e já desci. Agora é  esperar  por uma nova oportunidade. Medo?  Sim, tenho um pouco antes de entrar no helicóptero, minutos depois…eu relaxo. Aí é só prazer. Quer em uma linda paisagem, quer na periferia, quer no centro da cidade, quer no campo …o local não importa porque o que importa é voar e voar é preciso.

Essa foto acima é simplesmente documental,  mas com uma enorme força e representatividade para mim.Estou sobrevoando alguns prédios na zona oeste de São Paulo e a aeronave está  voando em uma altitude mais baixa  do que alguns edifícios . O barato é  que esse momento me relembrou as cenas de perseguição das naves em conflito no filme “Guerra nas Estrelas” -Stars Wars. Puro deleite. Onde se sente isso?  Na vida real em um helicóptero ou então só nos simuladores de companhias aéreas , ou na  Disney ou em  vídeo-games….. ( meio artificial , né ). Já disse que , para quem tem um pouco de grana, vá ao Campo de Marte  e divirta-se.

Picture by Franklin Nolla –

Informações via Google . Minha indicação – Helimarte – vôos panorâmicos sobre a cidade .


Uma mulher memorável.

    Os predicados são muitos para indicar o quanto Aung San Suu Kii é uma “superstar” da Democracia. Só o prêmio Nobel da Paz já a credencia para isso. Não tive a felicidade de conhece-la, mas acompanho a sua vida e trajetória no cenário político internacional  desde 1990. No ínicio  daquele ano,  fui ao cinema ver um filme  a esmo, sem nenhuma indicação e sem saber do que se  tratava . Fui ver  “Beyond Rangoon” , ” Muito alem de Rangum”  que contava sobre o golpe militar impetrado contra a Democracia na Birmânia, atual Mianmar,  e especialmente sobre o sofrimento do povo birmanês com o violento e ditatorial regime militar. A grande protagonista desse episódio da história do simpático país asiático é Aung San Suu Kii, que ficou por mais de 20 anos presa pelos militares, em prisão do governo e em prisão domiciliar. A história dela e da sua luta pela liberdade , democracia e direitos humanos você pode acompanhar pelo Google e pela Wikipedia. Naquela época a imprensa brasileira não sabia e nem sequer tomava conhecimento do que acontecia na Birmânia. Depois do filme,  eu  pesquisei sobre o país e cheguei a conclusão que queria ir para lá de qualquer jeito. Raspei o tacho do meu pouquísssimo dinheirinho ( uma mulher canalha havia confiscado toda a minha grana) e através  de aviões caindo aos pedaços, finalmente cheguei a Birmânia. Foi um êxtase para mim pisar em solo asiático. Conheci um país atrasado, anacrônico e quebrado economicamente, mas de uma beleza impressionante com  um povo prá lá de acolhedor e hospitaleiro, (de maioria budista) e,  apesar do massacre  opressivo da ditadura, de bem com a vida. O país sofria com o boicote internacional contra o regime militar, não se via estrangeiros, só eu e a minha mulher  e uma meia dúzia de gatos pingados espalhados pela ex-colonia inglesa. Foi o lugar que eu mais me identifiquei com o meu passado, quando o Brasil era um país viável, livre, não violento ,  socialmente evoluído e repleto de pessoas de bem que representavam 99% da população;  que perdurou até  que os golpistas militares  brasileiros assumissem  o poder. Daí deu no que deu e f…….É isso.

Picture- Google.


Sob intervenção divina. Mt Roraima 2.

Caros leitores,  convido vocês a compartilharem  um breve “remake” da minha viagem ao Mt.Roraima. Em abril de 2010, escolhi a mística montanha para fazer um trekking especial para comemorar o meu  último ano cronológico da minha meia idade . Não  podia supor que hoje comemoro meu primeiro ano de vida após ter sobrevivido `a  árdua caminhada. Graças a Jesus Cristo, ao meu fiel anjo da guarda e a minha querida filha, estou vivo e ileso, depois de passar por  maus momentos causados por questões paralelas com os nativos  venezuelanos. Deixando de lado as agruras da expedição, o que eu quero é contar a ótima sensação de ter conseguido chegar ao topo da montanha e de ter visto as belezas naturais exóticas da grande  “mesa”  dos 3 países – Venezuela,Brasil e Guiana.

O GIGANTESCO TEPUI

O monte Roraima faz parte do complexo dos Tepuis (montanhas em forma de mesas) venezuelanos, encravados no meio da estepe, características de campos gerais  com vegetação rala. A maior parte  do Mt Roraima fica na Venezuela.  O  ponto de partida para chegar ao Roraima é a cidade de Sta Helena. O acesso por terra é  feito de carro 4X4  até  o  Parque Nacional Venezuelano em pleno território  indígena. Na aldeia de Paratepuy, os aventureiros encontram os índios que irão se juntar aos guias para auxiliar na logística do trekking.

A BOTA COM BOCA

Mochila nas costas , ” sebo nas canelas” e a aventura começa na parte da manhã. Horas e horas de caminhada em trilhas com suave inclinação até que finalmente por volta das 12 horas começa o trecho de ganhar altitude. Aí o bicho pega, pois o calor intenso e o sol escaldante começam a minar a minha  resistência física. Para “ajudar” a minha bota super-special que tanto me ajudou e deu segurança em outros trekkings , abriu literalmente o bico, os dois pés descolaram o solado ao mesmo tempo, em um caminho seco e pedregoso cercado de lindas samambaias, que não pude apreciá-las como deveria. Então começou o meu drama, caminhar lentamente, sem água e  com o sol me queimando, sem protetor solar e almejando o meu  tênis reserva que estava com um índio carregador , centenas de metros a frente e que me monitorava visualmente, porque eu estava atrasado por estar fotografando a bonita flora do caminho. Eu gritava e acenava para ele e ele não me via. Até que passou um outro índio por mim e o  avisou. Coloquei o calçado e carreguei o meu cantil até o ponto de pernoite.

O QUEBRA GALHO

No dia seguinte, segui por um caminho sinuoso em uma floresta tropical , sempre subindo, onde fiz  belas fotos da vegetação e das flores que permeavam o caminho.Cheguei em um trecho extremamente pedregoso, com pedras enormes que rolaram montanha abaixo, provavelmente  causadas por chuvas torrenciais que as  levaram ao desmoronamento. Comecei a escorregar feito um sabonete em uma banheira. O meu tênis não era apropriado para chuva. O que me deu uma valiosa ajuda foram os galhos secos de pequenas árvores que margeavam a trilha e que me serviam de apoio para poder fazer uma alavanca com os braços. Finalmente atinge o cume, já bastante exausto. Comi uma barra de cereal, um pedaço de abacaxi fornecido pelo guia e então veio o dilúvio. A temperatura caiu abruptamente. Como a montanha é de forma trapeizodal, ela é enorme em extensão e largura, um mundo a parte e um ecossistema também a parte, jamais visto por mim em  viagens ou em qualquer material informativo. Daí eu vi um pouco do mundo perdido de Conan Doyle. Cheguei ao “hotel” (pequenas cavernas que servem de abrigo para se montar as barracas de acampamento) para fazer o pernoite.

O DILÚVIO E O SOL

No dia seguinte, saí bem cedo em direção a proa da montanha, debaixo ainda de uma bruta chuva. Resultado – o meu tênis começou a descolar o solado. O pior que podia acontecer, aconteceu. Dificuldade para andar. Um amigo emprestou uma silver tape e passei em volta do pé do tênis para ele não se desintegrar.Funcionou razoavelmente bem até o fim da caminhada. Arre!  De repente a chuva parou e imediatamente abriu um maior solão. A temperatura saiu dos oito graus e foi parar  nos trinta graus. A montanha se descortinou `a  minha frente. Formações rochosa vulcânicas que pareciam seres de outro planeta aguçavam a minha imaginação. Bichos , pessoas, monstros, aves eram avistados frequentemente. De repente, após uma elevação do terreno, pude apreciar uma das vistas mais bonitas da minha vida. Um jardim japonês ao natural e na escala real, fascinava os meus olhos. Enormes bonsais emolduravam pequenos riachos com mini cachoeiras formadas  pelas chuvas.Ao o redor, a  vegetação alta com folhas vermelhas, abóboras e amarelas , entremeadas de folhas verdes, davam o tom impressionista `a paisagem. Um grande barato visual. Ok. Foto aqui. Foto ali. E txantantantxamtam  – O Dilúvio outra vez. Ponho toda a roupa e 5 minutos depois tiro de novo. Toca a andar para o vale dos cristais. Inúmeros dilúvios e sol depois, chego ao vale. Uma beleza. Cristais, eu escrevi cristais, serpenteiam o caminho e a terra fica branca, como se tivesse nevado. É de babar. Lindo de novo….. Acabou o dia.

PARAÍSO X INFERNO

O inferno chegava a noite, todas as noites.. O paraíso todos os dias. El Fosso, Roraiminha, a Triplice Fronteira, Lago Gladys  e a Proa  fizeram parte dos dias restantes no cume…lugares belos e mágicos…. A volta  atribulada foi guiada por Deus. O meu corpo estava em frangalhos, a minha saúde afetada  e o meu estado psicológico também…. Foi uma longa e dolorida jornada… . Em Boa Vista,   tive a percepção que tinha passado por uma grande provação e que bravamente  havia vencido todas as mazelas da aventura.

foto-Franklin Nolla.

PS- Para quem tiver curiosidade sobre a aventura no Roraima- veja detalhes nos posts escritos de Abril de  2010 ou vejam mais fotos no   http://www.flickr.com/photos/fknolla


Prá dizer adeus.

Desde menino, tenho sempre uma indagação. Por que só os bons morrem?  Ditadores, canalhas, corruptos,bandidos, pulhas e outros que tais, difícilmente morrem. Estão aí só  para atazanar a vida das pessoas de bem.Hoje foi embora o ex vice-presidente José de Alencar,  uma pessoa equilibrada que mantinha  sempre o  bom humor apesar da doença terrível que o consumia. Uma pena.

A foto escolhida para ilustrar esse breve comentário, é a do memorial da trilha do monte Everest, local de homenagens e reverência as vitimas da montanha mais alta do mundo e das montanhas adjacentes .Lá está Babu Giri, o maior recordista dos que se aventuraram a escalar o cume . Também se reverencia a Scott Fischer , alpinista morto citado no livro “No ar rarefeito” de John Krakauer e deve estar lá também a alpinista sherpa Pemba que foi  a última nepalesa a atingir o cume no final do século passado . Na ocasião que fiz a trilha, ela me deu algumas dicas valiosas de como sofrer menos na difícil caminhada. No decorrer da viagem fui guiado pelo Manoel Morgado e aí as coisas  se tornaram  mais fáceis.

Para chegar ao memorial, sofri  um bocado em uma interminável subida, mas a recompensa foi  uma visão maravilhosa da cadeia de montanhas dos Himalayas.

Beleza pura.


Quem é Anousheh Ansari?

O para-quedas se desloca suavemente em direção  ao solo no  deserto no Cazaquistão, trazendo a cápsula espacial Soyuz de volta a Terra com 3 cosmonautas a bordo. Depois do impacto violento no solo e após parar definitivamente, a equipe de resgate do centro espacial russo, abre cuidadosamente a escotilha de acesso ao interior  da cápsula. As imagens mostram 2 homens e uma mulher, foco das atenções dos cameras e da imprensa internacional ali presente. A moça atordoada  e com o olhar meio confuso, esboça um sorrisso (  a reentrada na atmosfera faz com que a cápsula vire uma bola de fogo que só não frita os tripulantes por causa dos isolantes térmicos ) . Seu nome é Anousheh Ansari, a primeira mulher  turista  a visitar a Estação Espacial Internacional e retornar a Terra no dia 18 de Setembro de 2006. Um marco para os cidadãos comuns que se aventuram pioneiramente no espaço sideral.Ansari contribuiu  com U$ 20 milhões para a Agência Espacial Russa que em parceria com a empresa privada Space Adventurers, vende viagens espaciais para quem  puder pagar a “modesta” quantia para viajar em um pacote de 10 dias  na  Estação Espacial Internacional (ISS). O programa espacial soviético foi severamente abalado no governo Gorbatchev que decretou o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Isso acarretou  cortes de verbas e recursos financeiros que eram utilizados para o financiamento do programa espacial. A saída para os cientistas russos foi a de ofertar tecnologia espacial para viagens sub-orbitais  de turismo. Cada lançamento de cosmonaves no centro de lançamentos de Baikonur no Casaquistão custa por volta de U$ 20 milhões, valor pago pela milionária iraniana naturalizada americana. Ansari havia dito antes do vôo em uma entrevista que iria em uma viagem pelo espaço, mesmo que não houvesse  a volta `a Terra, tamanha era a sua paixão e fascínio pela exploração do espaço. De volta a cena inicial, a milionária recebeu um buquê de rosas e o sorriso aumentou progressivamente, mostrando a felicidade dela em ter realizado o sonho de sua vida.

A pergunta é, quanto vale um sonho???

Para quem quiser ver detalhes e a história completa do vôo, veja o documentário “Space Tourists” que foi ao ar na tv Cultura no dia 10/03 /2011.

Foto-NASA.