All content @ by Franklin Nolla

Aventura

É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas


A morada de Macunaíma (Mt Roraima)

Para os índios da tríplice fronteira, Brasil, Venezuela e Guiana, o monte Roraima é a morada do deus Macunaíma. O local é sagrado , místico e repleto de lendas, e como em  todo lugar mágico , como nos contos dos irmãos Grimm, há sempre uma luta  entre o bem e o mal. Este foi o meu  último e dificílimo trekking ,  repleto de  “perrenques”  horríveis …… Mas …….o que passou, passou …..e hoje  sinto saudades do misterioso Mt Roraima, com suas chuvas repentinas e calor escaldante, com sua beleza estonteante e sua natureza peculiar e primitiva, com as nuvens entremeando os paredões, ora belos e ora sombrios, que parecem evidenciar que a qualquer momento pode haver uma aparição do deus deles, o Macunaíma.


Voar é preciso ou no meio dos prédios (Between Buildings).

Para mim , voar é o máximo. Sou afortunado por isso. Deus me deu a chance de trabalhar com fotos aéreas e realizar um dos meus maiores sonhos da minha vida. Voar. Antes do feriado eu sobrevoei São Paulo por duas rápidas horas, talvez para os clientes , duas longas horas. Para  mim nem bem subi e já desci. Agora é  esperar  por uma nova oportunidade. Medo?  Sim, tenho um pouco antes de entrar no helicóptero, minutos depois…eu relaxo. Aí é só prazer. Quer em uma linda paisagem, quer na periferia, quer no centro da cidade, quer no campo …o local não importa porque o que importa é voar e voar é preciso.

Essa foto acima é simplesmente documental,  mas com uma enorme força e representatividade para mim.Estou sobrevoando alguns prédios na zona oeste de São Paulo e a aeronave está  voando em uma altitude mais baixa  do que alguns edifícios . O barato é  que esse momento me relembrou as cenas de perseguição das naves em conflito no filme “Guerra nas Estrelas” -Stars Wars. Puro deleite. Onde se sente isso?  Na vida real em um helicóptero ou então só nos simuladores de companhias aéreas , ou na  Disney ou em  vídeo-games….. ( meio artificial , né ). Já disse que , para quem tem um pouco de grana, vá ao Campo de Marte  e divirta-se.

Picture by Franklin Nolla –

Informações via Google . Minha indicação – Helimarte – vôos panorâmicos sobre a cidade .


Uma mulher memorável.

    Os predicados são muitos para indicar o quanto Aung San Suu Kii é uma “superstar” da Democracia. Só o prêmio Nobel da Paz já a credencia para isso. Não tive a felicidade de conhece-la, mas acompanho a sua vida e trajetória no cenário político internacional  desde 1990. No ínicio  daquele ano,  fui ao cinema ver um filme  a esmo, sem nenhuma indicação e sem saber do que se  tratava . Fui ver  “Beyond Rangoon” , ” Muito alem de Rangum”  que contava sobre o golpe militar impetrado contra a Democracia na Birmânia, atual Mianmar,  e especialmente sobre o sofrimento do povo birmanês com o violento e ditatorial regime militar. A grande protagonista desse episódio da história do simpático país asiático é Aung San Suu Kii, que ficou por mais de 20 anos presa pelos militares, em prisão do governo e em prisão domiciliar. A história dela e da sua luta pela liberdade , democracia e direitos humanos você pode acompanhar pelo Google e pela Wikipedia. Naquela época a imprensa brasileira não sabia e nem sequer tomava conhecimento do que acontecia na Birmânia. Depois do filme,  eu  pesquisei sobre o país e cheguei a conclusão que queria ir para lá de qualquer jeito. Raspei o tacho do meu pouquísssimo dinheirinho ( uma mulher canalha havia confiscado toda a minha grana) e através  de aviões caindo aos pedaços, finalmente cheguei a Birmânia. Foi um êxtase para mim pisar em solo asiático. Conheci um país atrasado, anacrônico e quebrado economicamente, mas de uma beleza impressionante com  um povo prá lá de acolhedor e hospitaleiro, (de maioria budista) e,  apesar do massacre  opressivo da ditadura, de bem com a vida. O país sofria com o boicote internacional contra o regime militar, não se via estrangeiros, só eu e a minha mulher  e uma meia dúzia de gatos pingados espalhados pela ex-colonia inglesa. Foi o lugar que eu mais me identifiquei com o meu passado, quando o Brasil era um país viável, livre, não violento ,  socialmente evoluído e repleto de pessoas de bem que representavam 99% da população;  que perdurou até  que os golpistas militares  brasileiros assumissem  o poder. Daí deu no que deu e f…….É isso.

Picture- Google.


Sob intervenção divina. Mt Roraima 2.

Caros leitores,  convido vocês a compartilharem  um breve “remake” da minha viagem ao Mt.Roraima. Em abril de 2010, escolhi a mística montanha para fazer um trekking especial para comemorar o meu  último ano cronológico da minha meia idade . Não  podia supor que hoje comemoro meu primeiro ano de vida após ter sobrevivido `a  árdua caminhada. Graças a Jesus Cristo, ao meu fiel anjo da guarda e a minha querida filha, estou vivo e ileso, depois de passar por  maus momentos causados por questões paralelas com os nativos  venezuelanos. Deixando de lado as agruras da expedição, o que eu quero é contar a ótima sensação de ter conseguido chegar ao topo da montanha e de ter visto as belezas naturais exóticas da grande  “mesa”  dos 3 países – Venezuela,Brasil e Guiana.

O GIGANTESCO TEPUI

O monte Roraima faz parte do complexo dos Tepuis (montanhas em forma de mesas) venezuelanos, encravados no meio da estepe, características de campos gerais  com vegetação rala. A maior parte  do Mt Roraima fica na Venezuela.  O  ponto de partida para chegar ao Roraima é a cidade de Sta Helena. O acesso por terra é  feito de carro 4X4  até  o  Parque Nacional Venezuelano em pleno território  indígena. Na aldeia de Paratepuy, os aventureiros encontram os índios que irão se juntar aos guias para auxiliar na logística do trekking.

A BOTA COM BOCA

Mochila nas costas , ” sebo nas canelas” e a aventura começa na parte da manhã. Horas e horas de caminhada em trilhas com suave inclinação até que finalmente por volta das 12 horas começa o trecho de ganhar altitude. Aí o bicho pega, pois o calor intenso e o sol escaldante começam a minar a minha  resistência física. Para “ajudar” a minha bota super-special que tanto me ajudou e deu segurança em outros trekkings , abriu literalmente o bico, os dois pés descolaram o solado ao mesmo tempo, em um caminho seco e pedregoso cercado de lindas samambaias, que não pude apreciá-las como deveria. Então começou o meu drama, caminhar lentamente, sem água e  com o sol me queimando, sem protetor solar e almejando o meu  tênis reserva que estava com um índio carregador , centenas de metros a frente e que me monitorava visualmente, porque eu estava atrasado por estar fotografando a bonita flora do caminho. Eu gritava e acenava para ele e ele não me via. Até que passou um outro índio por mim e o  avisou. Coloquei o calçado e carreguei o meu cantil até o ponto de pernoite.

O QUEBRA GALHO

No dia seguinte, segui por um caminho sinuoso em uma floresta tropical , sempre subindo, onde fiz  belas fotos da vegetação e das flores que permeavam o caminho.Cheguei em um trecho extremamente pedregoso, com pedras enormes que rolaram montanha abaixo, provavelmente  causadas por chuvas torrenciais que as  levaram ao desmoronamento. Comecei a escorregar feito um sabonete em uma banheira. O meu tênis não era apropriado para chuva. O que me deu uma valiosa ajuda foram os galhos secos de pequenas árvores que margeavam a trilha e que me serviam de apoio para poder fazer uma alavanca com os braços. Finalmente atinge o cume, já bastante exausto. Comi uma barra de cereal, um pedaço de abacaxi fornecido pelo guia e então veio o dilúvio. A temperatura caiu abruptamente. Como a montanha é de forma trapeizodal, ela é enorme em extensão e largura, um mundo a parte e um ecossistema também a parte, jamais visto por mim em  viagens ou em qualquer material informativo. Daí eu vi um pouco do mundo perdido de Conan Doyle. Cheguei ao “hotel” (pequenas cavernas que servem de abrigo para se montar as barracas de acampamento) para fazer o pernoite.

O DILÚVIO E O SOL

No dia seguinte, saí bem cedo em direção a proa da montanha, debaixo ainda de uma bruta chuva. Resultado – o meu tênis começou a descolar o solado. O pior que podia acontecer, aconteceu. Dificuldade para andar. Um amigo emprestou uma silver tape e passei em volta do pé do tênis para ele não se desintegrar.Funcionou razoavelmente bem até o fim da caminhada. Arre!  De repente a chuva parou e imediatamente abriu um maior solão. A temperatura saiu dos oito graus e foi parar  nos trinta graus. A montanha se descortinou `a  minha frente. Formações rochosa vulcânicas que pareciam seres de outro planeta aguçavam a minha imaginação. Bichos , pessoas, monstros, aves eram avistados frequentemente. De repente, após uma elevação do terreno, pude apreciar uma das vistas mais bonitas da minha vida. Um jardim japonês ao natural e na escala real, fascinava os meus olhos. Enormes bonsais emolduravam pequenos riachos com mini cachoeiras formadas  pelas chuvas.Ao o redor, a  vegetação alta com folhas vermelhas, abóboras e amarelas , entremeadas de folhas verdes, davam o tom impressionista `a paisagem. Um grande barato visual. Ok. Foto aqui. Foto ali. E txantantantxamtam  – O Dilúvio outra vez. Ponho toda a roupa e 5 minutos depois tiro de novo. Toca a andar para o vale dos cristais. Inúmeros dilúvios e sol depois, chego ao vale. Uma beleza. Cristais, eu escrevi cristais, serpenteiam o caminho e a terra fica branca, como se tivesse nevado. É de babar. Lindo de novo….. Acabou o dia.

PARAÍSO X INFERNO

O inferno chegava a noite, todas as noites.. O paraíso todos os dias. El Fosso, Roraiminha, a Triplice Fronteira, Lago Gladys  e a Proa  fizeram parte dos dias restantes no cume…lugares belos e mágicos…. A volta  atribulada foi guiada por Deus. O meu corpo estava em frangalhos, a minha saúde afetada  e o meu estado psicológico também…. Foi uma longa e dolorida jornada… . Em Boa Vista,   tive a percepção que tinha passado por uma grande provação e que bravamente  havia vencido todas as mazelas da aventura.

foto-Franklin Nolla.

PS- Para quem tiver curiosidade sobre a aventura no Roraima- veja detalhes nos posts escritos de Abril de  2010 ou vejam mais fotos no   http://www.flickr.com/photos/fknolla


Prá dizer adeus.

Desde menino, tenho sempre uma indagação. Por que só os bons morrem?  Ditadores, canalhas, corruptos,bandidos, pulhas e outros que tais, difícilmente morrem. Estão aí só  para atazanar a vida das pessoas de bem.Hoje foi embora o ex vice-presidente José de Alencar,  uma pessoa equilibrada que mantinha  sempre o  bom humor apesar da doença terrível que o consumia. Uma pena.

A foto escolhida para ilustrar esse breve comentário, é a do memorial da trilha do monte Everest, local de homenagens e reverência as vitimas da montanha mais alta do mundo e das montanhas adjacentes .Lá está Babu Giri, o maior recordista dos que se aventuraram a escalar o cume . Também se reverencia a Scott Fischer , alpinista morto citado no livro “No ar rarefeito” de John Krakauer e deve estar lá também a alpinista sherpa Pemba que foi  a última nepalesa a atingir o cume no final do século passado . Na ocasião que fiz a trilha, ela me deu algumas dicas valiosas de como sofrer menos na difícil caminhada. No decorrer da viagem fui guiado pelo Manoel Morgado e aí as coisas  se tornaram  mais fáceis.

Para chegar ao memorial, sofri  um bocado em uma interminável subida, mas a recompensa foi  uma visão maravilhosa da cadeia de montanhas dos Himalayas.

Beleza pura.


Quem é Anousheh Ansari?

O para-quedas se desloca suavemente em direção  ao solo no  deserto no Cazaquistão, trazendo a cápsula espacial Soyuz de volta a Terra com 3 cosmonautas a bordo. Depois do impacto violento no solo e após parar definitivamente, a equipe de resgate do centro espacial russo, abre cuidadosamente a escotilha de acesso ao interior  da cápsula. As imagens mostram 2 homens e uma mulher, foco das atenções dos cameras e da imprensa internacional ali presente. A moça atordoada  e com o olhar meio confuso, esboça um sorrisso (  a reentrada na atmosfera faz com que a cápsula vire uma bola de fogo que só não frita os tripulantes por causa dos isolantes térmicos ) . Seu nome é Anousheh Ansari, a primeira mulher  turista  a visitar a Estação Espacial Internacional e retornar a Terra no dia 18 de Setembro de 2006. Um marco para os cidadãos comuns que se aventuram pioneiramente no espaço sideral.Ansari contribuiu  com U$ 20 milhões para a Agência Espacial Russa que em parceria com a empresa privada Space Adventurers, vende viagens espaciais para quem  puder pagar a “modesta” quantia para viajar em um pacote de 10 dias  na  Estação Espacial Internacional (ISS). O programa espacial soviético foi severamente abalado no governo Gorbatchev que decretou o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Isso acarretou  cortes de verbas e recursos financeiros que eram utilizados para o financiamento do programa espacial. A saída para os cientistas russos foi a de ofertar tecnologia espacial para viagens sub-orbitais  de turismo. Cada lançamento de cosmonaves no centro de lançamentos de Baikonur no Casaquistão custa por volta de U$ 20 milhões, valor pago pela milionária iraniana naturalizada americana. Ansari havia dito antes do vôo em uma entrevista que iria em uma viagem pelo espaço, mesmo que não houvesse  a volta `a Terra, tamanha era a sua paixão e fascínio pela exploração do espaço. De volta a cena inicial, a milionária recebeu um buquê de rosas e o sorriso aumentou progressivamente, mostrando a felicidade dela em ter realizado o sonho de sua vida.

A pergunta é, quanto vale um sonho???

Para quem quiser ver detalhes e a história completa do vôo, veja o documentário “Space Tourists” que foi ao ar na tv Cultura no dia 10/03 /2011.

Foto-NASA.


Um drama nas alturas.

O alpinista brasileiro Bernardo Collares, provavelmente está morto no monte FitzRoy na Patagônia Argentina. Após conquistar o cume, ele e a sua companheira de escalada, Kika Bradford, faziam o procedimento de descida em um trecho em rapel, quando na vez dele descer, as cordas de fixação no paredão se soltaram e ele teve uma queda livre vertical de 20 metros de altura , ocasionando fraturas na bacia e também hemorragias internas. De acordo com as normas de segurança nas montanhas, ele teve um breve momento de consciência e ordenou que Kika fosse embora para procurar a equipe de resgate. O drama de deixá-lo sózinho com a grande possibilidade de morrer e o difícil caminho de  volta , de dois  dias e duas   noites, debaixo de fortes tempestades de gelo e ventos,  fizeram com  que ela finalmente encontrasse com a equipe de resgate da  cidade mais próxima, El Chaten, para pedir auxílio e socorrer  Bernardo. Infelizmente, as péssimas condições climáticas não permitem (até o encerramento desse têxto ),  que as equipes de resgate ,terrestres e aéreas, possam se mobilizar.

   Bem, isso é uma fatalidade que acontece frequentemente com os alpinistas e trekkers que perambulam e escalam as mais altas e difíceis  montanhas pelo mundo afora. Faz parte da vida deles. Em pesquisas que mensuram o risco de morrer em atividades esportivas, o alpinismo lidera disparado, seguido por luta de boxe e automobilismo. Então , por que praticar?  Para mim é como um vício.  As montanhas  estão todas lá fora, lindas e imponentes, cada uma com a sua personalidade, cada uma com a sua beleza. É só curti-las e amá-las. Bernardo passou muito tempo de sua vida, vivenciando isso. Talve passe a eternidade nessa montanha caso não possa haver o resgate.

foto (bonita)-Caio Vilela-Folhapress.


As “calanques” de Cassis.


Achei o máximo a ousadia dos jovens franceses  ao saltarem do penhasco para o mar verde esmeralda de Cassis , região das famosas calanques (cavernas escavadas pelo mar), que compõem  um dos cenários marítimos mais bonitos  que eu já havia visto nas minhas andanças mundo afora. O braço de  mar que contorna Cassis é de uma extrema beleza e mexe com os meus arroubos juvenis de tentar saltar também , mas o lado do bom senso prevaleceu e grazia a dio eu não encarei essa. Fiquei só na vontade. Dê uma espiada na foto abaixo e veja se náo dá vontade de pular. É isso aí.Amanhã vou postar Cannes.

fotos- Franklin Nolla.



Estou fora do Brasil

Volto dia 10 de Setembro


Um dia inesquecível.

A caminho de Le,  capital da região do Ladhak, Índia, eu avistei da estrada este local e pedi  ao Manoel, meu guia, para que averiguasse a possibilidade de se pernoitar lá.. Ele foi verificar a infraestrutura do local e deu o sinal de positivo, já que não estava previsto um pernoite no meio do caminho.Naquele dia eu não sabia quanto seria legal  permanecer na pequena cidade de  Lamaiuru, em parte construída entre os rochedos , que dão o ar sui-generis  ao local.Esse dia foi marcante na minha vida .Eu visitei o monastério budista pela manhã e após o almoço , saí para perambular e fotografar a arquitetura da cidade. No meio da tarde, encontrei dois jovens  brasileiros que  me acompanhavam na viagem e fomos ver o pôr-do-sol em uma colina defronte ao vale. O entardecer foi maravilhoso e o piscar  das primeiras luzes se acendendo nas casas  no cair da tarde foi muito especial. Como observadores privilegiados ,por causa da altura que estávamos, assistiamos o passar das horas contemplando a  monotonia do dia a dia dos moradores locais. Aí a temperatura despencou e chegou perto do zéro grau Celsius. A volta para o hotel foi  enrregelante, mas o coração estava feliz e a mente repleta de lindas imagens que retive na memória até hoje. Essa lembrança eu revivi  no entardecer de Sampa devido ao friozinho que estamos passando, um pouco parecido com o da região montanhosa da Índia…….só um pouco.

foto-Franklin Nolla.


Pertinho da número 1. Near the Everest – the number one.

Esse local- Morena do Glacial do Khumbu- está a meia hora do Mt.Everest, a mais alta montanha do mundo. Todo pessoa que gosta de montanhas,  já sonhou  em chegar ao  mais famoso cume do planeta. A dificuldade é enorme por causa da altitude, mas é acessível a todos os mortais que tenham muita grana , bom preparo físico e boa adaptação ao ar rarefeito. Já o K2 é uma montanha altamente técnica, requerendo  uma grande capacidade  em alpinismo e escalada. Só para poucos, e assim mesmo, a proporção de mortos é muito grande. Se você não for um campeão em alpinismo, nem sonhe.

foto- Franklin Nolla.


Abracaddaabra!

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foto-Ricardo Matsukawa/Terra.


Cadê o agasalho Adidas?

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foto-internet.


Os sobreviventes. The survivors.

No deserto de altitudes do Ladhak, Índia,   há poucas árvores, portanto não existe madeira disponível para  se utilizar como combustível , tanto para cozinhar como para aquecer as casas no rigoroso inverno. Mas como contornar esse problema em um lugar tão remoto da civilização? O jeito que os habitantes das altitudes dos Himalaias encontraram é sui-generis. A maioria dos jovens e crianças de Lamairu ficam perambulando o dia todo pela cidade e pelos arredores ‘a cata de estrume dos animais, principalmente os  de vaca ,  que  são grandes e com boa consistência. Enchido o cesto , eles vão para as suas casas  para processarem as fézes, amassando-as e moldando-as como se fossem pão sírio. Depois de enformados , eles colocam o bolo de estrume para secar ao sol. Depois de sêcos, eles estão  prontos para serem queimados no fogão a lenha, ops, a estrume e também para serem consumidos na lareira. Outra utilização do valioso bolo, é o de servir como liga para assentamentos de tijolos e pedras na construção das casas e muros.Também é utilizado como rejunte.

Quando eu vi esse garoto,  abordei-o e fiz o click. Tentei conversar com ele em Inglês,  mas ele só falava a língua local. Foi uma pena, porque eu queria saber mais a respeito da atividade dele. Sobrou para mim, o respeito e a  admiração para com um povo lutador e persistente no difícil dia a dia da sobrevivência.

foto-Franklin Nolla


Morro do Cuscuzeiro.

No interior do Estado de São Paulo, está a pequena cidade de Analândia, perto de Pirassununga. Além de ser uma estância climática, Analândia está se firmando como um pólo de turismo de aventura. As grandes atrações são o Morro do Cuscuzeiro e a Pedra do Camelo, além de cachoeiras e campos para passeios a cavalo.Vale a pena a visita.

Foto-Franklin Nolla.


O meu click do Everest.

Graças ao Manoel Morgado, que me levou em segurança perto dos 6 mil metros de altitude,  consegui clicar essa foto.Obrigado por me proporcionar esse maravilhoso visual. Para mim, essa montanha e os seus arredores são os locais mais bonitos do planeta.

foto- Franklin Nolla.


No topo do mundo.

É com grande satisfação que parabenizo o meu guia de montanha e amigo Manoel Morgado e sua mulher Andrea Cordona, por terem chegado ao cume do Mt Everest, 8.844 mts, no dia 17 de maio de 2010, tornando-se ele  o oitavo brasileiro a pisar no topo do mundo e ela a primeira mulher da America Central a conseguir tal façanha.É realmente um marco excepcional. As dificuldades para se conseguir tal proeza são muito grandes. Se vocês puderem assistir aos documentários do Discovery Channel  sobre o Everest terão uma  breve idéia do inferno que eles passaram. Bravo Manoel, Bravo Andrea. Felicidades.

Para acompanhar o relato da escalada, clique no link   www.webventure.com.br/comunidade/blog/home/id/15


Tributo a Dennis Hopper.

Atualmente troquei a moto por um bom par de botas de trekking. Com elas, chego próximo do céu, onde o louco ator e diretor deve estar dando cavalos de pau e whilling sem mêdo de cair. Essa foto traduz uma homenagem ao pirado Dennis Hopper.

foto- Franklin Nolla- Na trilha do Everest.


Born to be Wild

Depois de ter visto o filme cult,  Easy Rider  (Sem Destino), de Dennis Hopper, infelizmente falecido anteontem,  eu dei uma guinada na minha vida  ao assumir o meu lado rebelde   antes de completar os meus vinte anos. Naquela época eu vivia um dilema entre ser um cara da geração flower power e um não ativista que ansiava por desejos de liberdade, esmagada pela  ditadura militar. Como não era um ser aliado a nenhuma tribo de hyppies e nem a nenhuma organização de resistência política, eu precisava achar o meu espaço. Ao ver o filme, me deu  a vontade egoísta de viver a liberdade possível, a minha revolução interna. Comprei uma moto 125 cc  e caí na estrada desse mundo afora. Viajava com o vento batendo na cara a 100 km /hora e sem capacete, me sentia pleno ( os poucos motociclistas da década de 70 não usavam capacete,  que não era obrigatório). Voltava para Sampa , trabalhava como um mouro e ajuntava grana para comprar o meu sonho. Uma Honda 750 cc,  a pioneira 7galo,  grande moto de alta perfomance dos anos dourados. Aí eu  já  acelerava a quase 200 km /hora. Era um perfeito idiota sem noção do perigo. Sobrevivi graças a Deus. Os ícones desse sonho, os caras da foto acima- Dennis Hopper de barba, Peter Fonda na Harley estrelada e o garupa Jack Nicholson. Esses são os meus heróis. Esses personagens plantaram uma semente no meu modo de ser. A  da aventura  que  está  introjectada no meu sangue até hoje.A música do filme, born to be wild, cantada por SteppenWolf, é uma das minhas favoritas. Vou rever o filme…..

foto-divulgação do filme Easy Ryder- 1969.


O Buda Iluminado.

Ontem, os budistas espalhados pelo mundo, comemoraram o dia que o Buda Sakya Muni ou Gautama Sidarta alcançou a iluminação. Tenho simpatia pela sua  filosofia , após  tido a oportunidade de conhecer alguns templos no exterior.A foto acima eu tirei na Swayambhunath Stupa , na cidade de Katmandu, capital do Nepal. Além da beleza  arquitetônica do local, chama a atenção a quantidade de  macacos abusados . Se por acaso você se distrair,  eles tiram tudo que estiver na sua mão, desde carteira, máquina fotográfica e principalmente qualquer tipo de alimento, tudo numa boa, frequentemente na maior suavidade. Se acontecer deles te surrupiarem…então ,deixe-se levar pelo encantamento do lugar e entoe o mantra mais ouvido no Nepal.     Ohm mani pad me hummm  ooooo mani pad me huumm. Ohm mai pad me hum  ohm mani pad me hummm…………. É o que se pode fazer……

foto-franklin Nolla.


Um show no meio do nada.

Estava andando na trilha que vai da região do vale do glacial do Khumbu até Namche Bazar em um trecho bem árido, quando de repente apareceram essas mulheres fazendo uma batucada tibetana. Não acreditei que naquele lugar ermo,  alguém se dispusesse a fazer qualquer coisa. Achei o maior barato , curti pacas e ao final da mini apresentação , elas passaram o boné e me pediram uma contribuição. Peguei umas rúpias nepalesas e dei para elas. Ficaram meio putas da vida e me pediram dólares.Fiquei um pouco constrangido e dei  5 dólares. Algumas sorriram e passaram a grana para a chefe do grupo, que pegou as minhas verdinhas e adicionou a um bolo de dólares que tinha no bolso. elas já tinham faturado um bocado. Para mim o show foi legal e elas se continuaram  com o ofício, já devem estar com uma boa grana,  em relação  ao padrão econômico local.

Namaste, thank you, sir. Com essas palavras desapareceram na vastidão das montanhas.

foto- Franklin Nolla.


O lugar mais bonito da Terra.

Para atenuar um pouco a minha acidez, escolhi esta foto para que possam admirar o vale do glacial do Khumbu no Nepal . Para mim é o local mais bonito do planeta.

foto- Franklin Nolla.


Estórias da China.

Muitos internautas que viram o meu blog pediram para eu continuar postando artigos sobre aventura, então atendendo aos pedidos, vou começar a postar uma série de artigos sobre a China. Estou preparando as fotos e os textos. Hoje ficamos com a imagem da Grande Muralha da China. A estória eu conto depois.

Foto- Franklin Nolla