All content @ by Franklin Nolla

Cultura

A saga do povo tibetano pelo Tibete livre.Free Tibet.

O grande mérito do filme “7 anos no Tibete”  é contar  como o povo Tibetano foi subjugado pelas hordas militares chinesas de Mao Tse Tung. A ocupação chinesa do território Tibetano prevalece até hoje  e os esforços diplomáticos internacionais dos governos do ocidente e os dos  movimentos pró Free Tibet,  praticamente não sensibilizam  o governo chinês e no meu entender será difícil de sensibilizar, já que o Tibet é rico em recursos naturais minerais e os chineses não irão querer abrir  mão dessa riqueza a céu aberto. Uma pena.

Hoje, Lhasa é uma cidade totalmente tomada pelos chineses da etnia Han, que foi patrocinada pelo governo central da China e incentivada  a “colonizar”  a cidade,  tomando o lugar dos originais habitantes da etnia tibetana. Pouco pode se ver da antiga Lhasa de antes da dominação chinesa. Os pontos mais preservados são o portentoso e monumental Palácio Potala (antiga residência dos Dalai Lamas – hoje museu) o belo e místico Monastério Budista de Jokhang, o pequeno gueto do bairro Tibetano e o Palácio de Verão do Dalai Lama (museu) de onde ele iniciou a fuga para o  exílio em Dharamsala  na Índia e o Monastério de Drepung,uma cidadela afastada do centro de Lhasa. Todos os locais  levam a uma viagem ao passado glorioso dos Tibetanos. O povo  do Tibete  é dócil, simpático, amável e hospitaleiro… Já  os chineses de Lhasa… é melhor não comentar…

Vale a pena assistir ao filme ”  7 anos no Tibete ” do cineasta francês Jean Jacques Annaud, de 1997, estrelado por Brad Pitt e David Thewlis. Alem do enredo ser  emocionante, aprende-se muito sobre a história atual dos dois países.

Picture by Franklin Nolla –  vista do Palácio Potala de cima do teto do Monastério Jokhang/Lhasa/Tibet.


Direto da Galeria – From the Gallery.

VERTIGEM – VERTIGO

KING KONG


Uma cena memorável.Mastroianni e Ekberg na Fontana di Trevi.

Assisti ontem na tv, pela quarta vez, o filme  ” La Dolce Vita” de Federico Fellini. Ele contem  uma das  cenas mais famosas da história do cinema. O célebre  “banho” de Marcelo Mastroiani e Anita Ekberg na Fontana di Trevi em Roma. Para mim, essa cena tem algo de misterioso e uma certa sincronicidade jungniana com o que ocorreu comigo no final dos anos 90s.Após um périplo rodoviario pela Italia, cheguei a Roma no entardecer. Acabei ficando em um hotelzinho meio ” mixuruca”  em uma viela escura no centro de Roma. Estava planejando conhecer a cidade , após a realização de um trabalho profissional para uma revista brasileira. Banho tomado, saí para a rua, como de costume,  para fazer um reconhecimemto da área próxima ao hotel. Confesso que não tinha a mínima noção de onde eu estava. Um certo frio na barriga demonstrava o receio de andar por aquelas vias estreitas . Mas andei uns 10 minutos e eis que surge na minha frente a Fontana di Trevi toda  feéricamente iluminada.  A atmosfera onírica tomava conta da minha alma. Não havia sequer um turista,  somente um casal de “carabinieri” montados em uma parelha de cavalos. O da mulher, branco e o do homem, marron. Estava montada a cena do filme. Só faltavam os atores. Aí ficou fácil visualizar os dois na minha imaginação. Por dois minutos  a magia tomou conta das minha emoções. Fui acordado do meu sonho real por um guia que chegava na praça com uma horda de “japas”. ” Signora, guarda a la sinistra, qui Marcelo Mastroianni…adesso Anita Ekberg………. Peguei umas moedinhas de liras italianas e joguei na fonte, para agradecer o raro  momento mágico que havia vivido.         Grazie Fellini.

Para quem  gosta de cinema autoral, vale a pena alugar o filme  em  preto e branco da década de 1960. Uma aula de cinema.

foto-google.


Passear com a “Maria Fumaça”.

Êpa!Êpa! “Maria Fumaça” não é uma “Periguéte” que anda por aí apertando uns “fininhos” que se encontra em qualquer esquina?. Tampouco é prima da “Maria Gasolina” que vive  emoldurando os carrões importados da “Cidade Jardim”?. Nem é um “mulherão”?. Nnnão… Como diz o caipira ” Ara! É um trem fumacento danado de bão”.

Cena 1- Estação Ferroviária de Jaguariúna – partida.

Piuuuuí.Piuuuuí.

A velha locomotiva a vapor  Baldwin de 1895, impecavelmente restaurada, começa a se deslocar vagarosamente , puxando alguns carros de passageiros em direção a estação ferroviária de Anhumas em Campinas, interior do Estado de São Paulo. O trem está lotado de turistas – velhos, moços e crianças. Quem alguma vez na vida não sonhou em andar em um trem  romântico do século 19, igual aos dos filmes de Faroeste ou dos filmes de guerras na Europa? Ou então do filme de animação digital “Expresso Polar”?  No olhar de cada passageiro, vê-se o sonho se materializando. A felicidade estampada nos sorrisos e na nostalgia dos casais de idosos, carinhosamente apertando entre si, as mãos. No olhar do meu pequeno filho de 3 anos, descobrindo um mundo novo e antigo, através das paisagens das centenárias fazendas de café. Para mim , um momento especial. Há mais ou menos vinte anos, eu havia feito a mesma viagem com as minhas filhas. Agora eu faço de novo com o meu pequeno. Que ótima sensação. Sem perceber o passar do tempo, rapidamente chegamos a Anhumas.

cena 2 – Estação de Anhumas- a volta

Depois de 45 minutos parado, para reabastecimento de madeira e água, o trem está pronto para a volta. Agora temos a companhia de um guia que conta a história da antiga ferrovia Mogiana, como funciona a locomotiva a vapor, como foram feitos os restauros pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, como eram as antigas fazendas de café e etc…. Também no percurso de volta, temos uma simpática ferromoça que vende “souvenirs” alusivos ao passeio. Mas o melhor estava por vir. E veio. Uma agradável bandinha caipira (com sanfoneiro) que tocava e cantava  sucessos da música popular sertaneja do passado como “O menino da Porteira” “Ó Minas Gerais”  e outras que não lembro mais o nome.Um barato. Meia hora de viagem e paramos para uma baldeação (troca) de trens na estação Tanquinho. Mais explicações do guia  e blablablá e vejo uma outra Baldwin mais bonita ainda , se aproximando para nos levar até Jaguariúna…..Fim do sonho.

Moral da estória – Um belo passeio de trem caipira que alegrou as almas dos que estiveram presentes , sem luxo e sem frescura.

Photo by Franklin Nolla.


A Capitu dos meus sonhos.

É muito difícil que alguém ao ler um livro, não tenha associado a imagem que faz de um personagem com a imagem real de uma pessoa. Pois é. Tive uma grata surpresa. Há alguns dias eu estive  fotografando em Paraty , RJ, . O “job” era um catálogo de publicidade para uma renomada empresa de Cama&Mesa&Banho&Underware de São Paulo. A maioria das pessoas envolvidas no projeto formam um time fixo de profissionais de alta qualidade que trabalham em conjunto faz um bom tempo. As pessoas que trocam são os modelos e eventualmente os maquiadores.Antes do ínicio das viagens, todo mundo se reúne e são feitas as apresentações necessárias. Ao entrar no micro-ônibus da produção eu vi a modelo escolhida,  que estava “devorando”  um livro. Fui apresentado a ela que me deu um sorriso levemente tímido. Para  quebrar o gelo, perguntei o que estava lendo. Ela disse o nome  do livro , que eu já esqueci e o  nome da autora “Nora” e eu respondi de bate-pronto “Ephron”. Na hora senti uma grande simpatia por ela, uma familiaridade pouco comum com alguém que acabara  de conhecer. Horas e intermináveis horas depois, chegamos em Paraty, a noite. “Daqui a meia hora na recepção” era o ” mini boss ” convocando o pessoal para o jantar. Depois de rodar a cidade em busca de um bom restaurante aberto naquela hora, só achamos barzinhos, acabamos em uma pizzaria  com decoração charmosa e pizzas horrorosas. Após mastigar cimento de construção com queijo, fomos dar um giro pelo pier da cidade antes do “goodnight” sem “birinight”.  No dia seguinte,  as 6 da matina, hora de levantar para tomar o café da manhã  e depois sair para a maratona de fotos. Chegamos em uma casa legal bem na beira-mar. O dia estava lindo, ensolarado sem uma nuvem no céu. Pensei que o trabalho seria uma dureza e foi mesmo, mas os resultados compensaram o grande esforço. Depois de algumas centenas de fotos,  demos um pequeno “brake” para o almoço, aliás muito bom,  providenciado pela empresária que acompanhava as fotos. Sem tempo para “jiboiar”, reiniciamos o trabalho, agora com modelos,  já que anteriormente haviamos clicados só os produtos. O maquiador/cabeleireiro entra em cena e de repente começa a grande metamorfose. A tímida e simpática moça se transforma na Capitu do meu imaginário, óbvio que só eu percebi.  Conforme o casal de modelos começou a desempenhar melhor, a bela morena ia se tornando cada vez mais a Capitolina, a Capitu  do célebre livro “Don Casmurro” de Machado de Assis. Esses clicks dela me remeteram a minha juventude, mais precisamente na quarta série ginasial, quando tive a obrigação e o prazer  de ler o livro, graças ao meu  professor de Português, o Barbosão. Clicks e mais clicks e a morena desabrochando, cada vez mais a vontade. Na minha frente uma beleza Machadiana dissimulada , uma beleza Brasileira. A morena sestrosa do  Ary Barroso. A morena ingênua e sensual do Jorge Amado. A presença africana forte nos seus traços.  Enfim a materialização da personagem na minha frente. Tive vergonha de contar a ela e a equipe o “barato” que estava vivenciando. Hoje, mais tranquilo posso dizer ” Obrigado moça bonita. Você resgatou um pouco da minha adolescência  em pequeníssimos intervalos  entre uma foto e outra no bucólico cenário de Paraty”. Agora vou continuar na busca de Bentinho e Escobar, quiçá em outro cantinho  do Brasil.É isso aí.


Visite o Real Gabinete Português de Leitura.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                Há uns 4 meses estive no Rio de Janeiro para conhecer o Gabinete Português. Sabadão de praia e estava fechado. Me consolei com um sebo ao lado e o  proprietário me contou que a Biblioteca era fantástica, o mobiliário lindo, os livros interessantes e mais piriri e pororó e que era proibido fotografar internamente a  sala de leitura. Disse que a única maneira de eu ter as fotos do lugar era comprar um livro ( com um  pouco de desconto). Não entrei nessa e resolvi voltar em outra ocasião. Pois é. Peguei uma ponte aérea e voltei em  um dia no meio da semana. Chovia pacas. Crédulo e “patso” , acabei não levando a câmera. Lei de Murphy. Pode-se fotografar a vontade. O puto me tapeou.

O que importa é que o Gabinete de Leitura é bárbaro. Maravilhoso. Me senti transportado no tempo, como se fosse um aventureiro portuga, indo consultar alguns livros que me ajudariam a singrar pelos mares nunca dantes navegado. O meu lado luso, ó Pá, estava em alta. Fiquei um tempão observando as antigas estantes de madeira bem escura contrastando com as lombadas vermelhas e douradas dos  enormes livros que repousavam em outras bibliotecas  por vários séculos nas prateleiras.De repente senti uns pingos de chuva na minha cabeça. Olhei para cima em direção a linda clarabóia com desenhos de um caleidoscópio e vi alguns vidros quebrados por onde a água escoava. Perguntei a uma funcionária por que havia goteiras e ela me respondeu que estavam com problemas na estrutura do teto. Torci para o problema ser sanado logo, pois o rico acervo poderia ser prejudicado…. Viajei com a informação de que o Machado de Assis era um costumeiro frequentador da Biblioteca…Dava para imaginar  o mulato lendo em um canto do grande salão…

Do lado direito para quem entra, havia uma exposição pequena sobre a épica e pioneira travessia por avião feita pelos pilotos Sacadura Cabral e Gago Coutinho que se atreveram a cruzar o Atlântico, de Portugal para o Brasil, inaugurando a futura rota  para a Europa.

Para quem gosta de História, Arquitetura e Arte, o Real Gabinete Português de Leitura é imperdível. Um programão altamente recomendável.

foto- Moreno.


Palau de la Música Catalana – Barcelona.

 Eu não consigo  entender  a atitude de poder que certas instituições utilizam para cercear o trabalho de um fotógrafo profissional ou de um mero amador, proibindo que tirem fotos (sem flash) de  locais públicos como museus, galerias de arte,  salas de espetáculo,  teatros,  locais disseminadores de Cultura e etc… no mundo todo. Os mantenedores desses locais alegam que não deixam bater fotos por motivo de segurança. Que burrice. Com a internet e principalmente o nosso oráculo Google, você não só vê os locais “proibidos” como pode ainda passear virtualmente por eles. Isso aconteceu comigo quando fui visitar o Palau de la Música Catalana. Só pude fotografar a área externa,  ao ar livre, pois fui proibido de fotografar a parte interna (maravilhosa) que se esvanece na minha memória. Que lástima.

Graças ao Google, a foto interna tá aí…. Não é puro nonsense?

O Palau (Palácio) foi construído em 1908 pelo arquiteto catalão Lluis Domeneche i Montaner para ser um ponto de referência da música  Catalã e depois de anos , da música Internacional . Por lá passaram grandes nomes da música clássica, ópera e popular, como  Pavarotti, Montsserat  Cabalé, Plácido Domingo…… até o nosso Gilberto Gil , Adriana Calcanhoto e inúmeros brazucas…. .O lugar é  uma beleza, misturando charme, cores fortes e bom gosto. Os atributos de acústica são um dos melhores do mundo. Uma gama muito grande de excelências habilitam o Palau a  ser um dos melhores lugares   para se ouvir qualquer tipo de música.

Para saber mais, consultem o oráculo.

texto- Franklin Nolla

foto 1 – Franklin Nolla , foto 2 -Google.


Pura poesia. A beleza da vida em Bakthapur, Nepal.

Depois de me indignar com  as maracutaias e fdptices lidas nos últimos dias no noticiário e com as tragédias mundo afora, resolvi pegar um filme na minha videoteca e assistir de novo O Pequeno Buda de Bernardo Bertolucci. É um espetáculo de filme. Rodado em grande parte na linda ex- capital  do reinado da dinastia Mala no Nepal, o filme mostra cenários superinteressantes da cidade de Bakthapur e  ainda  conta com a  adesão de alguns figurantes locais. Foi filmado nos EUA e no Nepal. O resultado é muito bom e a sensibilidade  com que o diretor trata o tema principal é no mínimo comovente. A trilha sonora de Ryuichi Sakamoto  é  de arrasar ( eu ouço-a constantemente após 17 anos). Para quem estiver p da vida com o dia a dia insano da metrópole paulistana, vale a pena ir a uma videolocadora, pegar o filme  e assisti-lo. Garanto que será um breve momento de paz e introspecção e também uma  forma de elegia `a vida. Namaste.

foto-Franklin Nolla.


A Monalisa de Varanasi.

Um presente para vocês que aguardaram  o novo template do Rang Birangi. Essa foto é de uma noiva indiana se preparando paro o casamento nos “Gaths” – escadarias `a beira do rio Ganges na cidade sagrada de Varanasi – ex- Benares.Os casamentos nas margens do rio, são um dos mais felizes rituais da consagração da vida no Hinduísmo. Dezenas de noivos se encontram nos Gaths em um determinado dia , para perpetuarem o compromisso acordado pelos seus  pais,  através de contratos familiares,  onde o noivo e a noiva não tem o livre arbítrio de escolherem os seus pares pelo resto de suas vidas. O que se vê são jovens felizes ,com algumas exceções, ávidos para se realizarem com seus parceiros. As mulheres, via de regra , são muito bonitas, adornadas pelos tecidos finos e coloridos dos seus saris  com predominância da cor vermelha. Os adornos de ouro, como brincos, colares, pulseiras, correntes, piercings são um espetáculo a parte. Essa moça me deixou fotografá-la, com a permissão do noivo, e esse click  acabou sendo uma das melhores fotos de portraits que fiz até hoje. Me lembro muito bem da atmosfera da magia e do perfume que ela  exalava de seu singelo rosto. O mistério do seu  olhar e a forma dos olhos me permitem ter a ousadia de dizer que essa moça poderia ser bem a Monalisa indiana e olha que no final das contas , ela é bem mais bonita.

creditos- Foto e têxto – Franklin Nolla.

ps- Com o novo template, é possivel migrar para o meu site/portfólio, flickr (ainda na construcão das galerias de fotos), facebook e twitter e vice-versa. Por favor, visitem. Obrigado.


Passeio no Jardim do Alquimista.

O Le Mas de la Brune, é uma jóia única da arquitetura Renascentista nos campos da Provence. Misto de casarão medieval com um castelo ( sem a forma), ele abriga dois interessantes jardins. O das Plantas Mágicas e o dos Alquimistas.

O Jardim dos Alquimistas  faz uma analogia das plantas com o processo das Alquimias, cujo tópico das cores –  preto, branco e vermelho – desencadeiam alguns significados paralelos ao desenvolvimento do ser humano, desde o nascimento, a plenitude e  o fim da vida.

A essência do Alquimista está em buscar os processos químicos que visam transformar o chumbo em ouro, cujos mistérios atravessam séculos e séculos. Para quem caminha entre os meandros do jardim, há placas  explicativas de como se desenvolve o processo e a filosofia da Alquimia e como isso é representado pelas plantas. É muito interessante e leva um bocado de tempo para entender  porque está escrito em Francês (não domino completamente) , mas vale muito a pena, porque é lindo e fascinante.

Au Revoir.

fotos- Franklin Nolla.


Avignon, a cidade dos papas na Provence.

O papado cristão em Avignon durou aproximadamente um século. Começou com Clement V em 1309 e terminou com Benoit XIII em 1409.Neste periodo foi construído o colossal Palácio dos Papas, o maior monumento gótico da Europa. A beleza arquitetonica da grande construção está preservada até hoje.  Para quem gosta de história como eu ,  a visita ao pálacio consome dois dias completos ,  uma verdadeira  viagem no tempo, onde o visitante consegue imaginar  e sentir como era viver entre os poderosos religiosos  da igreja na Idade Média. Um grande barato.

Nos próximos posts vou contar um pouco sobre o interior do Palácio.

foto- Franklin Nolla.


Uma homenagem as mulheres.

Existe alguma coisa melhor do que uma mulher suavemente perfumada? Para mim não. E para Jean -Baptiste Grenouille, o personagem bizarro  do romance   O Perfume de Patrick Suskind ? Também não. A combinação perfeita entre o  cheiro de uma bela mulher e o da fragrância de um perfume é  de  uma  pura magia irresistível, arrebatadora….. Caindo na real, vou contar um pouco da magia da pequena  cidade de Grasse. Situada entre os contrafortes das montanhas do Estérel e dos Maures (mouros), Grasse é simplesmente a capital mundial da perfumaria. Uma flor chamada popularmente de Mimosa (acacia dealbata), virou uma real instituição nessa região do sul da França, ( vide a cidade de Bormes-Les Mimosas ). A Mimosa fornece ao mestre perfumeiro uma paleta de notas intensamente florais , verdes, com uma tonalidade ligeiramente adocicada de mel. Seus ricos odores fazem parte de uma gama enorme  de produtos como perfumes ,  colonias e etctera. Na cidade se encontram os maiores e melhores fabricantes de essências para perfumarias no  mundo. Grifes como Fragonard, Galimard, Molinard e outros , se destacam como excelências na arte de produzirem  as melhores  essências para todo o planeta. Visitar uma delas é uma experiência formidável. Amanhã eu conto.

Para quem não leu ou viu o filme, vale a pena tentar. É muito denso, tenso e bom.

foto-Franklin Nolla.


La ville de Mougins est magnifique.

Saindo de Nice , pegamos a nationale e fomos em direção aos Alpes Marítimos, mais precisamente em direção a Grasse. No meio da caminho entramos na Ville de Mougins. Um lugar espetacular para quem gosta de arte e cultura. Nas pequenas ruas vê-se galerias de arte  , museus,  ateliers ,  bistrôs ,  cafés e lojinhas de souvenirs. Essa mistura  e muita gente fina e bonita compõem a atmosfera ideal para que quer se deliciar com  uma semana de férias.  Cheiros de comida, perfumes das florês, perfumes das mulheres,  música barroca oriunda  de igrejas, crianças brincando, canto dos pássaros,  carros fora da cidade, sem poluição , …….. era tudo que eu queria e sonhava… mas …. na real tinha que clicar e  trabalhar duro… mas com um  enorme prazer  que me deixava cheio de vitalidade e me  fazia sentir incansável. É muito bom trabalhar em um ambiente bonito e charmoso.  A mente cria mais e as idéias brotam com mais facilidade.

Tá tudo lá. Arte, natureza e arquitetura. Precisa mais?Sim,  é claro. A mulher. Aqui representada pela Gabi  junto com o mestre.

Obrigatório é ir ver o Museé de la Photographie André Villers, com varias fotos do  Pablo Picasso retratadas  por André e outros fotógrafos. Muito bom.Au revoir.

fotos-Franklin Nolla.


Antidoto contra o baixo astral.

Hoje foi um Dia Aziago segundo Machado de Assis. Tudo deu errado durante o dia. Mas o meu humor melhorou quando fui postar agora pouco no blog. Além das imagens dos candidatos, eu  coloquei para tocar um bolachão maravilhoso na vitrola, o Tropicália de 1968. Que disco bárbaro. Caetano, Gil, Gal, Nara, Mutantes,Tom Zé,Torquato,Capinam e o maestro Rogério Duprat. Um espetáculo de competência. Quem estiver deprê, é só ouvir que o ânimo vem. Me lembro de um show da Gal iniciando a carreira no antigo Teatro de Arena e também dos programas Tropicália no auditório da extinta TV Tupi (era imperdível).  O ano de 1968 foi um marco na vida dos jovens daquela época. A revolta dos estudantes em Paris , a luta contra a ditadura militar aqui e a  Tropicália jamais serão esquecidos.


Expo Roman Polanski.

Está acontecendo na sala BNDES da Cinemateca Brasileira, a exposição Roman Polanski, ator, diretor. A mostra é uma homenagem ‘a trajetória do diretor polonês que ainda faz  filmes com grande categoria. Uma extensa programação dos filmes do diretor-ator está rolando na Cinemateca e no Centro Cultural São Paulo.  Interessante também é a mostra, no mesmo local, dos cartazes e posters dos filmes feitos por artistas gráficos de todo o mundo.

local- Cinemateca Brasileira- largo senador Raul Cardoso 207. fica até dia 26 de Junho de 2010. Grátis.


Último dia.

Hoje, 13 de Junho, termina a exposição do Flávio de Carvalho no MAM.Aproveite o domingão de sol no Parque Ibirapuera e vá curtir a exposição do impagável artista.


Saudades de um bom programa.

Como ouvinte da radio Cultura FM, lamentei o desligamento do jornalista Salomão Schwartzman e do seu bom programa Diario da Manhã, que mesclava ótimos comentários principalmente na área política e música clássica. Depois o  jornalista levou o programa ao ar na Radio Scala FM, aí eu parei de acompanhar simplesmente por não ser ouvinte da referida emissora. Atualmente ele é colunista da Radio Bandnews FM com pequenos comentários na programação. É bom, mas não é a mesma coisa. Seria muito legal se ele voltasse para a emissora da Fundação Padre Anchieta, agora com a nova presidencia, que espero seja mais artística e menos política.


Um instante para o maestro.

A  Radio Cultura FM tem em sua programação diaria um interessante mini programa chamado Pergunte ao Maestro , apresentado  pelo maestro João Mauricio Galindo. Ele responde a  perguntas dos ouvintes sobre música clássica com muita clareza e simplicidade, tornando acessivel o entendimento para qualquer tipo de público. Vale a pena ouvir.


Os Dinos do rock estão com tudo.

É muito gratificante saber que os Rolling Stones ocuparam nesta semana o top das paradas de sucesso na Inglaterra com o revival álbum  Exile on Main St. É um feito muito significativo, uma vez que a banda ocupou o primeiro lugar na parada de sucessos no longinquo ano de 1994. Parabéns ao garotos -vovôs , que estão arrebentando em Londres. Por aqui, hoje é o dia do show da dinossáurica banda Aerosmith no Parque Antártica. Se eu não fosse para as montanhas de novo,  com certeza iria vê-los tocar e apreciar o fabuloso alcance de vóz do vocalista Steven Tyler, que já foi objeto de estudos  científicos que avaliaram a sua vóz como um fenômeno da humanidade. É uma pena, pois vai ser difícil os velhinhos voltarem por aqui mais uma vêz. É isso aí. Os caras um pouco mais velhos do que eu, estão arrasando com tudo, dando um superexemplo de vida e superação para os jovens.

foto- Bilboard.


Absolutamente incrível

Acabei de chegar da inauguração da mostra do fotógrafo americano Steve McCurry na  Galeria Virgilio-Babel em Pinheiros, SP. As fotos são poucas, mas de excelente qualidade, as cores então….. só vendo.Para quem conheceu o filme  Kodachrome,  fica a nostalgia da época áurea da fotografia em película. Um verdadeiro espetáculo. Eu mesmo, consegui fotografar só dois rolos de Kodachrome em toda a minha vida. O filme era comprado nos EUA (não importado regularmente no Brasil) e mandado revelar no Panamá e depois reenviado para  o Brasil. O resultado era muito bom. A grana que se gastava, também era muito alta. Bom , o que importa realmente é a foto carro chefe da exposição  intitulada  Afghan  Girl. Essa foto foi tirada por Steve no campo de refugiados afegãos em Peshawar, Paquistão, no ano de 1985, época da invasão russa no Afeganistão. Virou a capa mais famosa da National Geographic Magazine em todos os tempos.Até então, não se conhecia a identidade da moça de 12 anos. Passados 17 anos , em 2002, Steve conseguiu identificar a ex-menina no interior do Afeganistão já com a idade de 30 anos, fotografou-a de novo e virou capa da National outra vez. Decobriu-se que o nome dela é Sharbat Gula, graças a identificação com tecnologia  biométrica da sua iris (olhos). Não coloquei a foto recente, para motivá-los a vê-la na galeria.É  imperdível. Confira.

foto- Steve Mccurry.


Os famosos jardins árabes de Srinagar.

A influencia  árabe na Índia foi muito grande, por mais de centenas de  anos. A região da Caxemira, nos contrafortes dos Himalayas, é densamente habitada por  seus descedentes , mais precisamente do império Mugal. O legado cultural dos muslims é notado pelos encantadores jardins, que além da beleza natural, atrai curiosamente vários casais de noivos que  utilizam os cenários   para  serem fotografados  e filmados  afim de enriquecerem  seus álbuns de casamento. É um barato.

foto-Franklin Nolla.


Só para Iluminados.

Fui ver o filme  Viajo porque preciso,volto porque te amo atraído pelo título  e pelo cartaz que achei legal. OK. Começa a sessão. O primeiro take é uma  longa visão noturna de uma estrada vista pelo motorista através do  parabrisa. Já saquei o que veria pela frente. Os takes seguintes duram uma eternidade, alternando paisagem monótonas do agreste nordestino com cenas monótonas de caminhões na estrada, extremamente mal filmadas para passar a sensação de que é o personagem que filma,  que não aparece e apenas narra o enredo da trama ( ele é geólogo e a mulher dele é botânica) , dizendo que está cheio de viajar por essas estradas empoeiradas e monótonas e morrendo de saudades da sua galega. Depois de meia hora o filme continua em ritmo de lesma preguiçosa com takes de moradores locais que serão afetados por um canal de água que irá cobrir as suas  propriedades rurais. Mais 10 minutos de lenga-lenga , o cara chega em Caruarú , mostrando a montagem noturna da grande feira que acontece no local . Aí eu olhei para a sala de projeção quase vazia e me perguntei. O que é que estou fazendo aqui? Por acaso estou passando por alguma provação?  Por acaso tenho vocação para lama ou sadú?

Vazei.


Flávio de Carvalho e eu.

O que pode se passar na cabeça de um menino de 6 anos de idade, já alfabetizado, ao ver em um jornal bem exposto em uma banca, uma foto de um sujeito correndo com roupas femininas esquisitas  ( em primeiro plano ) e atras dele ( no segundo plano ) uma multidão enfurecida querendo alcançá-lo. Essa cena aconteceu comigo em 1956. Lembro-me  perfeitamente da situação até hoje. Essa foi a minha primeira visão do artista. Perguntei ao meu pai quem era e o que estava acontecendo.  O meu pai respondeu que o cara enorme era o artista Flávio de Carvalho. Ele estava fazendo uma experiencia com um traje de verão para homens para sentir a reação do público ,mas  a multidão  que acompanhava a experiencia número 2 não havia gostado,  tanto da roupa como da figura em si que parecia ser de um maricas ( ele me contou o que era sem entrar em detalhes) e resolveram dar uma sova  nele. Anos depois fiquei sabendo que o Flávio disparou pela rua Libero Badaró , entrou em  um estabelecimento comercial e pulou o muro dos fundos para sair no vale do Anhangabaú, onde pegou um táxi e sumiu , escapando de ser linchado. Nos anos 50 isso era uma enorme transgressão.  Anos depois , quando estava cursando a faculdade ,na época da ditadura militar, comecei a me interessar por cultura e entrar em contato com o mundo das  artes plásticas e admirar as obras dos grandes artistas , entre eles  o polivalente Flávio de Carvalho. Meus  conhecimentos sobre a obra do Flávio se aprofundaram e passei a reconhecer e admirar o seu  grande valor  artístico  que o habilita a ser o mais versátil , polêmico e transgressor dos artistas plásticos  brasileiros .

fotos- divulgação.


Flávio de Carvalho no Museu de Arte Moderna de São Paulo

Fui ao  lançamento da exposição do grande artista polivalente Flávio de Carvalho. A mostra é fantástica. Flávio foi com certeza um artista completo. Era engenheiro, arquiteto, artista plástico, cenógrafo, escritor, performático,  estudioso do comportamento humano e mais outras habilidades. Na sua época foi considerado louco, maldito, alem de outros adjetivos pejorativos. Se vivesse hoje, seria considerado gênio, visionário e superstar.

Indico a todas as pessoas de todas as idades para ver essa mostra que é sensacional e imperdível. Está no MAM no Parque do Ibirapuera. Vá com tempo e se delicie.

foto-reprodução. Retrato da atriz Maria DellaCosta- 1951.