All content @ by Franklin Nolla

Cultura

A saga do povo tibetano pelo Tibete livre.Free Tibet.

O grande mérito do filme “7 anos no Tibete”  é contar  como o povo Tibetano foi subjugado pelas hordas militares chinesas de Mao Tse Tung. A ocupação chinesa do território Tibetano prevalece até hoje  e os esforços diplomáticos internacionais dos governos do ocidente e os dos  movimentos pró Free Tibet,  praticamente não sensibilizam  o governo chinês e no meu entender será difícil de sensibilizar, já que o Tibet é rico em recursos naturais minerais e os chineses não irão querer abrir  mão dessa riqueza a céu aberto. Uma pena.

Hoje, Lhasa é uma cidade totalmente tomada pelos chineses da etnia Han, que foi patrocinada pelo governo central da China e incentivada  a “colonizar”  a cidade,  tomando o lugar dos originais habitantes da etnia tibetana. Pouco pode se ver da antiga Lhasa de antes da dominação chinesa. Os pontos mais preservados são o portentoso e monumental Palácio Potala (antiga residência dos Dalai Lamas – hoje museu) o belo e místico Monastério Budista de Jokhang, o pequeno gueto do bairro Tibetano e o Palácio de Verão do Dalai Lama (museu) de onde ele iniciou a fuga para o  exílio em Dharamsala  na Índia e o Monastério de Drepung,uma cidadela afastada do centro de Lhasa. Todos os locais  levam a uma viagem ao passado glorioso dos Tibetanos. O povo  do Tibete  é dócil, simpático, amável e hospitaleiro… Já  os chineses de Lhasa… é melhor não comentar…

Vale a pena assistir ao filme ”  7 anos no Tibete ” do cineasta francês Jean Jacques Annaud, de 1997, estrelado por Brad Pitt e David Thewlis. Alem do enredo ser  emocionante, aprende-se muito sobre a história atual dos dois países.

Picture by Franklin Nolla –  vista do Palácio Potala de cima do teto do Monastério Jokhang/Lhasa/Tibet.

Anúncios

Direto da Galeria – From the Gallery.

VERTIGEM – VERTIGO

KING KONG


Uma cena memorável.Mastroianni e Ekberg na Fontana di Trevi.

Assisti ontem na tv, pela quarta vez, o filme  ” La Dolce Vita” de Federico Fellini. Ele contem  uma das  cenas mais famosas da história do cinema. O célebre  “banho” de Marcelo Mastroiani e Anita Ekberg na Fontana di Trevi em Roma. Para mim, essa cena tem algo de misterioso e uma certa sincronicidade jungniana com o que ocorreu comigo no final dos anos 90s.Após um périplo rodoviario pela Italia, cheguei a Roma no entardecer. Acabei ficando em um hotelzinho meio ” mixuruca”  em uma viela escura no centro de Roma. Estava planejando conhecer a cidade , após a realização de um trabalho profissional para uma revista brasileira. Banho tomado, saí para a rua, como de costume,  para fazer um reconhecimemto da área próxima ao hotel. Confesso que não tinha a mínima noção de onde eu estava. Um certo frio na barriga demonstrava o receio de andar por aquelas vias estreitas . Mas andei uns 10 minutos e eis que surge na minha frente a Fontana di Trevi toda  feéricamente iluminada.  A atmosfera onírica tomava conta da minha alma. Não havia sequer um turista,  somente um casal de “carabinieri” montados em uma parelha de cavalos. O da mulher, branco e o do homem, marron. Estava montada a cena do filme. Só faltavam os atores. Aí ficou fácil visualizar os dois na minha imaginação. Por dois minutos  a magia tomou conta das minha emoções. Fui acordado do meu sonho real por um guia que chegava na praça com uma horda de “japas”. ” Signora, guarda a la sinistra, qui Marcelo Mastroianni…adesso Anita Ekberg………. Peguei umas moedinhas de liras italianas e joguei na fonte, para agradecer o raro  momento mágico que havia vivido.         Grazie Fellini.

Para quem  gosta de cinema autoral, vale a pena alugar o filme  em  preto e branco da década de 1960. Uma aula de cinema.

foto-google.


Passear com a “Maria Fumaça”.

Êpa!Êpa! “Maria Fumaça” não é uma “Periguéte” que anda por aí apertando uns “fininhos” que se encontra em qualquer esquina?. Tampouco é prima da “Maria Gasolina” que vive  emoldurando os carrões importados da “Cidade Jardim”?. Nem é um “mulherão”?. Nnnão… Como diz o caipira ” Ara! É um trem fumacento danado de bão”.

Cena 1- Estação Ferroviária de Jaguariúna – partida.

Piuuuuí.Piuuuuí.

A velha locomotiva a vapor  Baldwin de 1895, impecavelmente restaurada, começa a se deslocar vagarosamente , puxando alguns carros de passageiros em direção a estação ferroviária de Anhumas em Campinas, interior do Estado de São Paulo. O trem está lotado de turistas – velhos, moços e crianças. Quem alguma vez na vida não sonhou em andar em um trem  romântico do século 19, igual aos dos filmes de Faroeste ou dos filmes de guerras na Europa? Ou então do filme de animação digital “Expresso Polar”?  No olhar de cada passageiro, vê-se o sonho se materializando. A felicidade estampada nos sorrisos e na nostalgia dos casais de idosos, carinhosamente apertando entre si, as mãos. No olhar do meu pequeno filho de 3 anos, descobrindo um mundo novo e antigo, através das paisagens das centenárias fazendas de café. Para mim , um momento especial. Há mais ou menos vinte anos, eu havia feito a mesma viagem com as minhas filhas. Agora eu faço de novo com o meu pequeno. Que ótima sensação. Sem perceber o passar do tempo, rapidamente chegamos a Anhumas.

cena 2 – Estação de Anhumas- a volta

Depois de 45 minutos parado, para reabastecimento de madeira e água, o trem está pronto para a volta. Agora temos a companhia de um guia que conta a história da antiga ferrovia Mogiana, como funciona a locomotiva a vapor, como foram feitos os restauros pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, como eram as antigas fazendas de café e etc…. Também no percurso de volta, temos uma simpática ferromoça que vende “souvenirs” alusivos ao passeio. Mas o melhor estava por vir. E veio. Uma agradável bandinha caipira (com sanfoneiro) que tocava e cantava  sucessos da música popular sertaneja do passado como “O menino da Porteira” “Ó Minas Gerais”  e outras que não lembro mais o nome.Um barato. Meia hora de viagem e paramos para uma baldeação (troca) de trens na estação Tanquinho. Mais explicações do guia  e blablablá e vejo uma outra Baldwin mais bonita ainda , se aproximando para nos levar até Jaguariúna…..Fim do sonho.

Moral da estória – Um belo passeio de trem caipira que alegrou as almas dos que estiveram presentes , sem luxo e sem frescura.

Photo by Franklin Nolla.


A Capitu dos meus sonhos.

É muito difícil que alguém ao ler um livro, não tenha associado a imagem que faz de um personagem com a imagem real de uma pessoa. Pois é. Tive uma grata surpresa. Há alguns dias eu estive  fotografando em Paraty , RJ, . O “job” era um catálogo de publicidade para uma renomada empresa de Cama&Mesa&Banho&Underware de São Paulo. A maioria das pessoas envolvidas no projeto formam um time fixo de profissionais de alta qualidade que trabalham em conjunto faz um bom tempo. As pessoas que trocam são os modelos e eventualmente os maquiadores.Antes do ínicio das viagens, todo mundo se reúne e são feitas as apresentações necessárias. Ao entrar no micro-ônibus da produção eu vi a modelo escolhida,  que estava “devorando”  um livro. Fui apresentado a ela que me deu um sorriso levemente tímido. Para  quebrar o gelo, perguntei o que estava lendo. Ela disse o nome  do livro , que eu já esqueci e o  nome da autora “Nora” e eu respondi de bate-pronto “Ephron”. Na hora senti uma grande simpatia por ela, uma familiaridade pouco comum com alguém que acabara  de conhecer. Horas e intermináveis horas depois, chegamos em Paraty, a noite. “Daqui a meia hora na recepção” era o ” mini boss ” convocando o pessoal para o jantar. Depois de rodar a cidade em busca de um bom restaurante aberto naquela hora, só achamos barzinhos, acabamos em uma pizzaria  com decoração charmosa e pizzas horrorosas. Após mastigar cimento de construção com queijo, fomos dar um giro pelo pier da cidade antes do “goodnight” sem “birinight”.  No dia seguinte,  as 6 da matina, hora de levantar para tomar o café da manhã  e depois sair para a maratona de fotos. Chegamos em uma casa legal bem na beira-mar. O dia estava lindo, ensolarado sem uma nuvem no céu. Pensei que o trabalho seria uma dureza e foi mesmo, mas os resultados compensaram o grande esforço. Depois de algumas centenas de fotos,  demos um pequeno “brake” para o almoço, aliás muito bom,  providenciado pela empresária que acompanhava as fotos. Sem tempo para “jiboiar”, reiniciamos o trabalho, agora com modelos,  já que anteriormente haviamos clicados só os produtos. O maquiador/cabeleireiro entra em cena e de repente começa a grande metamorfose. A tímida e simpática moça se transforma na Capitu do meu imaginário, óbvio que só eu percebi.  Conforme o casal de modelos começou a desempenhar melhor, a bela morena ia se tornando cada vez mais a Capitolina, a Capitu  do célebre livro “Don Casmurro” de Machado de Assis. Esses clicks dela me remeteram a minha juventude, mais precisamente na quarta série ginasial, quando tive a obrigação e o prazer  de ler o livro, graças ao meu  professor de Português, o Barbosão. Clicks e mais clicks e a morena desabrochando, cada vez mais a vontade. Na minha frente uma beleza Machadiana dissimulada , uma beleza Brasileira. A morena sestrosa do  Ary Barroso. A morena ingênua e sensual do Jorge Amado. A presença africana forte nos seus traços.  Enfim a materialização da personagem na minha frente. Tive vergonha de contar a ela e a equipe o “barato” que estava vivenciando. Hoje, mais tranquilo posso dizer ” Obrigado moça bonita. Você resgatou um pouco da minha adolescência  em pequeníssimos intervalos  entre uma foto e outra no bucólico cenário de Paraty”. Agora vou continuar na busca de Bentinho e Escobar, quiçá em outro cantinho  do Brasil.É isso aí.


Visite o Real Gabinete Português de Leitura.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                Há uns 4 meses estive no Rio de Janeiro para conhecer o Gabinete Português. Sabadão de praia e estava fechado. Me consolei com um sebo ao lado e o  proprietário me contou que a Biblioteca era fantástica, o mobiliário lindo, os livros interessantes e mais piriri e pororó e que era proibido fotografar internamente a  sala de leitura. Disse que a única maneira de eu ter as fotos do lugar era comprar um livro ( com um  pouco de desconto). Não entrei nessa e resolvi voltar em outra ocasião. Pois é. Peguei uma ponte aérea e voltei em  um dia no meio da semana. Chovia pacas. Crédulo e “patso” , acabei não levando a câmera. Lei de Murphy. Pode-se fotografar a vontade. O puto me tapeou.

O que importa é que o Gabinete de Leitura é bárbaro. Maravilhoso. Me senti transportado no tempo, como se fosse um aventureiro portuga, indo consultar alguns livros que me ajudariam a singrar pelos mares nunca dantes navegado. O meu lado luso, ó Pá, estava em alta. Fiquei um tempão observando as antigas estantes de madeira bem escura contrastando com as lombadas vermelhas e douradas dos  enormes livros que repousavam em outras bibliotecas  por vários séculos nas prateleiras.De repente senti uns pingos de chuva na minha cabeça. Olhei para cima em direção a linda clarabóia com desenhos de um caleidoscópio e vi alguns vidros quebrados por onde a água escoava. Perguntei a uma funcionária por que havia goteiras e ela me respondeu que estavam com problemas na estrutura do teto. Torci para o problema ser sanado logo, pois o rico acervo poderia ser prejudicado…. Viajei com a informação de que o Machado de Assis era um costumeiro frequentador da Biblioteca…Dava para imaginar  o mulato lendo em um canto do grande salão…

Do lado direito para quem entra, havia uma exposição pequena sobre a épica e pioneira travessia por avião feita pelos pilotos Sacadura Cabral e Gago Coutinho que se atreveram a cruzar o Atlântico, de Portugal para o Brasil, inaugurando a futura rota  para a Europa.

Para quem gosta de História, Arquitetura e Arte, o Real Gabinete Português de Leitura é imperdível. Um programão altamente recomendável.

foto- Moreno.


Palau de la Música Catalana – Barcelona.

 Eu não consigo  entender  a atitude de poder que certas instituições utilizam para cercear o trabalho de um fotógrafo profissional ou de um mero amador, proibindo que tirem fotos (sem flash) de  locais públicos como museus, galerias de arte,  salas de espetáculo,  teatros,  locais disseminadores de Cultura e etc… no mundo todo. Os mantenedores desses locais alegam que não deixam bater fotos por motivo de segurança. Que burrice. Com a internet e principalmente o nosso oráculo Google, você não só vê os locais “proibidos” como pode ainda passear virtualmente por eles. Isso aconteceu comigo quando fui visitar o Palau de la Música Catalana. Só pude fotografar a área externa,  ao ar livre, pois fui proibido de fotografar a parte interna (maravilhosa) que se esvanece na minha memória. Que lástima.

Graças ao Google, a foto interna tá aí…. Não é puro nonsense?

O Palau (Palácio) foi construído em 1908 pelo arquiteto catalão Lluis Domeneche i Montaner para ser um ponto de referência da música  Catalã e depois de anos , da música Internacional . Por lá passaram grandes nomes da música clássica, ópera e popular, como  Pavarotti, Montsserat  Cabalé, Plácido Domingo…… até o nosso Gilberto Gil , Adriana Calcanhoto e inúmeros brazucas…. .O lugar é  uma beleza, misturando charme, cores fortes e bom gosto. Os atributos de acústica são um dos melhores do mundo. Uma gama muito grande de excelências habilitam o Palau a  ser um dos melhores lugares   para se ouvir qualquer tipo de música.

Para saber mais, consultem o oráculo.

texto- Franklin Nolla

foto 1 – Franklin Nolla , foto 2 -Google.