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Posts com tag “Amor.

SP 458. Ame-a ou deixe-a.

Essa estória de que São Paulo é uma cidade que só serve para se ganhar uma grana e cair fora é uma das maiores sacanagens  que uma certa parte dos habitantes predadores fazem aqui. Tá certo que a cidade é violenta ( e qual não é?), tem enchentes, o transporte público é deficiente e outras mazelas mais…… Para quem teve a sorte de nascer aqui, a minha cidade mãe tem que ser venerada, amada e bem cuidada. Quando você , cidadão que ama a sua cidade, avistar algum (a) babaca jogando lixo na rua ou depredando bens públicos ou  pichando paredes, esclareça a esse pobre de espírito, que ele está contribuindo para os entupimentos das bocas de lobo e pela degradação da cidade. Essa atitude faz com que o idiota se toque e passe a perceber que a vitima é ele mesmo pois vai padecer no transito ou pior, contrair a terrível Dengue. Isso só pode ser combatido com informação , educação e cidadânia. Que tal , srs governantes, fazer uma campanha de valorização da cidade e dos seus espaços públicos. A São Paulo  das oportunidades de negócios e que recebe todos  de braços abertos não pode ser mal amada como fazem  a maioria das pessoas que vivem aqui. Caetano Veloso , Tom Jobim, Tom Zé (citando os mais famosos )  fizeram músicas que dedicam o amor dos “estrangeiros” pela cidade. Viva São Paulo, 458 anos. Aprenda a amá-la.

Picture by Franklin Nolla-    Represa de Guarapiranga- da série – São Paulo também é linda.

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Viva.Hoje é o dia do Fusca.

O fusca é o carro mais querido, mais charmoso e mais simpático do Brasil. Ele foi projetado por Ferdinand Porsche para ser o carro do povo  (Volkswagen) no  regime nazista de Adolf Hitler na década de 1930. Para muita gente com um pouco mais de idade, ele foi o primeiro carro, o primeiro passeio com a primeira namorada, o primeiro beijo dado dentro dele e o primeiro “amasso” no seu cockpit superapertado ( as alças de apoio ajudavam muito). Foi o carro dos “primeiros” em quase tudo na vida familiar nos anos 50,60,70,80 e 90s. Quase cinquenta anos em linha de produção. Isso o  leva a ser o carro mais amado fabricado no Brasil em todos os tempos. Quando eu saio com o meu “Blue Etílico” de vez em quando, ele arranca suspiros de admiração  aonde quer que eu passe. ” E aei Tio. Quer vender”. Já tive muitos fuscas, mas o que eu mais gostei foi um sedan 1.600 cc  de  1976 , dupla carburação, um pouco envenenado,  branco com vidros Ray-Ban, que andava uma barbaridade (prá época) e que vivia dando “pau” nos Corcéis e Opalas 4 cilindros. Era a glória. Acho que depois que eu tirei a minha habilitação, eu sempre tive um fusca ao meu lado, primeiro como carro principal por muito tempo, e depois como um segundo carro para curtir a paixão que eu tenho por ele. Só quem tem  um inteiraço sabe disso.

Picture by Franklin Nolla.


Uma flor para o meu pai.

Ontem foi um dia muito especial para mim. Meu querido pai completou 90 anos de vida e por isso foi homenageado pela escola em que  trabalha. Quase 1.500 alunos vieram dar o parabéns pessoalmente para ele. Uma missa foi celebrada em sua homenagem . Vários presentes ele ganhou, mas o que me fez marear os  olhos foi um poema feito por um jovem aluno  de 15 anos , que o recitou  com sensibilidade e eloquencia.  A emoção tomou conta da escola , desde a manhã até o final da tarde. Muitos  professores e funcionários , diretoria também, pararam para saudar o sr. Franklin. Uma honra para ele e para a minha família.

Escrever todas  as virtudes do meu pai não está muito fácil, mesmo 24 horas depois do acontecido. A emoção ainda trava os meus pensamentos.

Acho incrível um senhor de 90 anos estar trabalhando,  muito lúcido e competente,  irradiando saúde ,  simpatia e  felicidade para todos  e  todos os dias. Sinto muito orgulho dele e quero  agradecer por  ter me dado as diretrizes e os conselhos que balizaram  a minha vida… Ontem eu  disse a ele  em tom de brincadeira, que a  meta agora é alcançar o Niemeyer… e ele sorridente… concordou … Espero estar escrevendo daqui a 10 anos,  o  centésimo aniversário dele e quem sabe , ainda trabalhando, que é  o motivo maior  que o  leva  a viver .  Parabéns Babbo.


Cara mamma. La nave va !

 Uma cena de praia nos anos 50s. No lado direito da foto um homem  com aparência de 45 anos vestindo um enorme calção de banho que não conseguia esconder  a gigantesca barriga. No centro um menino magrela com 5 anos e cabelo escovinha e a  esquerda uma mulher com 20 anos, gatíssima, morena , com um maiô Catalina azul marinho, contrastando com a brancura da sua pele… Essa foto tirada com uma Rolleyflex 6×6 cm em P&B, retratava meu avô, eu e a minha mãe  por ocasião da primeira vez que eu estive em uma praia na minha vida. Ela está guardada em uma caixa de fotografias  que está  em algum lugar inacessível no  quarto da bagunça na minha casa. Não sei bem porque, ela está gravada na minha memória em 4 cores. Hoje pensei nela o dia inteiro enquanto via a figura velha e desgastada da minha mãe em um leito de hospital, lutando para se manter viva. Infelizmente sinto que a viagem dela  está chegando ao fim. As constantes  idas ao hospital estão se tornando uma rotina que eu já não estou suportando. Tenho que  participar desse processo sem a ajuda de nenhum parente ou sequer de  uma amiga ( dela ).A minha mãe nunca cultivou uma amizade e sequer valorizou  laços familiares por causa de uma atitude semi- autista, mergulhada em seu pequeno mundo de solidão. Nunca consegui entender o seu modo de vida . Nunca entendi a forma tosca de me amar sem um único toque de carinho e de emoção. Sei que  me ama, mais jamais verbalizou ou insinuou isso. Nos últimos anos, a idade avançada e o começo de uma doença cerebral  fez com que ela se tornasse amarga, arredia,  rabugenta, agressiva, e principalmente teimosa ao não aceitar colaboração de  profissionais que querem ajudá-la. Para ela só restou uma pessoa na vida…. Eu…. Por isso estou escrevendo esse pequeno texto meio truncado pela emoção  para manifestar o meu sentimento que nunca falei  e que falarei amanhã cedo- ” Mãe…. Eu te amo ….

Em tempo, depois de 6 dias,  hoje eu vou dormir bem e na minha cama. Aleluia!

Domani, estarei bem cedo lá  no hospital para ajudar na  recuperação.

foto- maiôs Catalina de 1954- o escuro era igual ao da minha mãe.