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A minha degustação das Cachaças.

Em uma manhã fria e chuvosa em Paraty ,  há um mês,  resolvi me aventurar a experimentar algumas cachaças , coisa que nunca fiz na vida. Meio timido, pedi a balconista de uma loja especializada na típica bebida brasileira, que ofertasse algumas das “boas” para mim. Primeiro ela me ofereceu umas “meias-bocas”. Depois eu cheirei uns grãos de café para neutralizar o gosto da cachaça anterior e ela me ofereceu das “boas”. A  diferença entre as normais e as especiais é absurda.As de safras selecionadas e via de regra mais antigas,  são suaves, aveludadas e descem como diz uma propaganda, “macio”. Foi uma experiência muito boa. Depois de trançar um pouco as pernas, fui a um restaurante e comi como um leão.Planejo algum dia, voltar a experimentar as “ditas cujas”.

cachaça ParatianaPicture by Franklin Nolla.

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Sob intervenção divina. Mt Roraima 2.

Caros leitores,  convido vocês a compartilharem  um breve “remake” da minha viagem ao Mt.Roraima. Em abril de 2010, escolhi a mística montanha para fazer um trekking especial para comemorar o meu  último ano cronológico da minha meia idade . Não  podia supor que hoje comemoro meu primeiro ano de vida após ter sobrevivido `a  árdua caminhada. Graças a Jesus Cristo, ao meu fiel anjo da guarda e a minha querida filha, estou vivo e ileso, depois de passar por  maus momentos causados por questões paralelas com os nativos  venezuelanos. Deixando de lado as agruras da expedição, o que eu quero é contar a ótima sensação de ter conseguido chegar ao topo da montanha e de ter visto as belezas naturais exóticas da grande  “mesa”  dos 3 países – Venezuela,Brasil e Guiana.

O GIGANTESCO TEPUI

O monte Roraima faz parte do complexo dos Tepuis (montanhas em forma de mesas) venezuelanos, encravados no meio da estepe, características de campos gerais  com vegetação rala. A maior parte  do Mt Roraima fica na Venezuela.  O  ponto de partida para chegar ao Roraima é a cidade de Sta Helena. O acesso por terra é  feito de carro 4X4  até  o  Parque Nacional Venezuelano em pleno território  indígena. Na aldeia de Paratepuy, os aventureiros encontram os índios que irão se juntar aos guias para auxiliar na logística do trekking.

A BOTA COM BOCA

Mochila nas costas , ” sebo nas canelas” e a aventura começa na parte da manhã. Horas e horas de caminhada em trilhas com suave inclinação até que finalmente por volta das 12 horas começa o trecho de ganhar altitude. Aí o bicho pega, pois o calor intenso e o sol escaldante começam a minar a minha  resistência física. Para “ajudar” a minha bota super-special que tanto me ajudou e deu segurança em outros trekkings , abriu literalmente o bico, os dois pés descolaram o solado ao mesmo tempo, em um caminho seco e pedregoso cercado de lindas samambaias, que não pude apreciá-las como deveria. Então começou o meu drama, caminhar lentamente, sem água e  com o sol me queimando, sem protetor solar e almejando o meu  tênis reserva que estava com um índio carregador , centenas de metros a frente e que me monitorava visualmente, porque eu estava atrasado por estar fotografando a bonita flora do caminho. Eu gritava e acenava para ele e ele não me via. Até que passou um outro índio por mim e o  avisou. Coloquei o calçado e carreguei o meu cantil até o ponto de pernoite.

O QUEBRA GALHO

No dia seguinte, segui por um caminho sinuoso em uma floresta tropical , sempre subindo, onde fiz  belas fotos da vegetação e das flores que permeavam o caminho.Cheguei em um trecho extremamente pedregoso, com pedras enormes que rolaram montanha abaixo, provavelmente  causadas por chuvas torrenciais que as  levaram ao desmoronamento. Comecei a escorregar feito um sabonete em uma banheira. O meu tênis não era apropriado para chuva. O que me deu uma valiosa ajuda foram os galhos secos de pequenas árvores que margeavam a trilha e que me serviam de apoio para poder fazer uma alavanca com os braços. Finalmente atinge o cume, já bastante exausto. Comi uma barra de cereal, um pedaço de abacaxi fornecido pelo guia e então veio o dilúvio. A temperatura caiu abruptamente. Como a montanha é de forma trapeizodal, ela é enorme em extensão e largura, um mundo a parte e um ecossistema também a parte, jamais visto por mim em  viagens ou em qualquer material informativo. Daí eu vi um pouco do mundo perdido de Conan Doyle. Cheguei ao “hotel” (pequenas cavernas que servem de abrigo para se montar as barracas de acampamento) para fazer o pernoite.

O DILÚVIO E O SOL

No dia seguinte, saí bem cedo em direção a proa da montanha, debaixo ainda de uma bruta chuva. Resultado – o meu tênis começou a descolar o solado. O pior que podia acontecer, aconteceu. Dificuldade para andar. Um amigo emprestou uma silver tape e passei em volta do pé do tênis para ele não se desintegrar.Funcionou razoavelmente bem até o fim da caminhada. Arre!  De repente a chuva parou e imediatamente abriu um maior solão. A temperatura saiu dos oito graus e foi parar  nos trinta graus. A montanha se descortinou `a  minha frente. Formações rochosa vulcânicas que pareciam seres de outro planeta aguçavam a minha imaginação. Bichos , pessoas, monstros, aves eram avistados frequentemente. De repente, após uma elevação do terreno, pude apreciar uma das vistas mais bonitas da minha vida. Um jardim japonês ao natural e na escala real, fascinava os meus olhos. Enormes bonsais emolduravam pequenos riachos com mini cachoeiras formadas  pelas chuvas.Ao o redor, a  vegetação alta com folhas vermelhas, abóboras e amarelas , entremeadas de folhas verdes, davam o tom impressionista `a paisagem. Um grande barato visual. Ok. Foto aqui. Foto ali. E txantantantxamtam  – O Dilúvio outra vez. Ponho toda a roupa e 5 minutos depois tiro de novo. Toca a andar para o vale dos cristais. Inúmeros dilúvios e sol depois, chego ao vale. Uma beleza. Cristais, eu escrevi cristais, serpenteiam o caminho e a terra fica branca, como se tivesse nevado. É de babar. Lindo de novo….. Acabou o dia.

PARAÍSO X INFERNO

O inferno chegava a noite, todas as noites.. O paraíso todos os dias. El Fosso, Roraiminha, a Triplice Fronteira, Lago Gladys  e a Proa  fizeram parte dos dias restantes no cume…lugares belos e mágicos…. A volta  atribulada foi guiada por Deus. O meu corpo estava em frangalhos, a minha saúde afetada  e o meu estado psicológico também…. Foi uma longa e dolorida jornada… . Em Boa Vista,   tive a percepção que tinha passado por uma grande provação e que bravamente  havia vencido todas as mazelas da aventura.

foto-Franklin Nolla.

PS- Para quem tiver curiosidade sobre a aventura no Roraima- veja detalhes nos posts escritos de Abril de  2010 ou vejam mais fotos no   http://www.flickr.com/photos/fknolla


Um dia inesquecível.

A caminho de Le,  capital da região do Ladhak, Índia, eu avistei da estrada este local e pedi  ao Manoel, meu guia, para que averiguasse a possibilidade de se pernoitar lá.. Ele foi verificar a infraestrutura do local e deu o sinal de positivo, já que não estava previsto um pernoite no meio do caminho.Naquele dia eu não sabia quanto seria legal  permanecer na pequena cidade de  Lamaiuru, em parte construída entre os rochedos , que dão o ar sui-generis  ao local.Esse dia foi marcante na minha vida .Eu visitei o monastério budista pela manhã e após o almoço , saí para perambular e fotografar a arquitetura da cidade. No meio da tarde, encontrei dois jovens  brasileiros que  me acompanhavam na viagem e fomos ver o pôr-do-sol em uma colina defronte ao vale. O entardecer foi maravilhoso e o piscar  das primeiras luzes se acendendo nas casas  no cair da tarde foi muito especial. Como observadores privilegiados ,por causa da altura que estávamos, assistiamos o passar das horas contemplando a  monotonia do dia a dia dos moradores locais. Aí a temperatura despencou e chegou perto do zéro grau Celsius. A volta para o hotel foi  enrregelante, mas o coração estava feliz e a mente repleta de lindas imagens que retive na memória até hoje. Essa lembrança eu revivi  no entardecer de Sampa devido ao friozinho que estamos passando, um pouco parecido com o da região montanhosa da Índia…….só um pouco.

foto-Franklin Nolla.


Morro do Cuscuzeiro.

No interior do Estado de São Paulo, está a pequena cidade de Analândia, perto de Pirassununga. Além de ser uma estância climática, Analândia está se firmando como um pólo de turismo de aventura. As grandes atrações são o Morro do Cuscuzeiro e a Pedra do Camelo, além de cachoeiras e campos para passeios a cavalo.Vale a pena a visita.

Foto-Franklin Nolla.


Born to be Wild

Depois de ter visto o filme cult,  Easy Rider  (Sem Destino), de Dennis Hopper, infelizmente falecido anteontem,  eu dei uma guinada na minha vida  ao assumir o meu lado rebelde   antes de completar os meus vinte anos. Naquela época eu vivia um dilema entre ser um cara da geração flower power e um não ativista que ansiava por desejos de liberdade, esmagada pela  ditadura militar. Como não era um ser aliado a nenhuma tribo de hyppies e nem a nenhuma organização de resistência política, eu precisava achar o meu espaço. Ao ver o filme, me deu  a vontade egoísta de viver a liberdade possível, a minha revolução interna. Comprei uma moto 125 cc  e caí na estrada desse mundo afora. Viajava com o vento batendo na cara a 100 km /hora e sem capacete, me sentia pleno ( os poucos motociclistas da década de 70 não usavam capacete,  que não era obrigatório). Voltava para Sampa , trabalhava como um mouro e ajuntava grana para comprar o meu sonho. Uma Honda 750 cc,  a pioneira 7galo,  grande moto de alta perfomance dos anos dourados. Aí eu  já  acelerava a quase 200 km /hora. Era um perfeito idiota sem noção do perigo. Sobrevivi graças a Deus. Os ícones desse sonho, os caras da foto acima- Dennis Hopper de barba, Peter Fonda na Harley estrelada e o garupa Jack Nicholson. Esses são os meus heróis. Esses personagens plantaram uma semente no meu modo de ser. A  da aventura  que  está  introjectada no meu sangue até hoje.A música do filme, born to be wild, cantada por SteppenWolf, é uma das minhas favoritas. Vou rever o filme…..

foto-divulgação do filme Easy Ryder- 1969.