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É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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EU CELEBRO A VIDA.EU AMO A VIDA.EU FOTOGRAFO A VIDA !!!!!!!

ou, COMO EU DEIXEI DE SER UM CORRESPONDENTE DE GUERRA.

Ontem  eu assisti a um doc na TV Cultura sobre um fotojornalista  sensacional que cobre as guerras  e os conflitos étnicos ao redor do mundo  para a revista alemã “Stern”. James Nachtwey ,de um modo peculiar,  fotografa as atrocidades das guerras  e  denúncia ao mundo  a imbecilidade  e a insensatez dos envolvidos nos conflitos. Suas fotos são de arrepiar e de deixar o espectador atônito. Eu fiquei muito chocado com o que eu vi. As imagens ficaram na minha cabeça o dia inteiro…Um pesadelo acordado…    Isto me fez refletir um pouco sobre o meu passado…..Eu era um  jovem com ideais e  concepcões libertárias ( Chê era meu ídolo). Eu tinha o sonho de ser um correspondente de guerra no Vietnã . O meu orientador  nas artes fotográficas , Jean Solari, era um dos grandes fotógrafos da extinta revista Realidade . O seu colega , o jornalista e repórter  José Hamilton Ribeiro, fazia dupla com ele e  era  muito conceituado na época. Um belo dia, José Hamilton, resolveu junto com a Editora Abril, ir cobrir a guerra do Vietnã. Na sua chegada ao “front” de batalha, ele pisou em uma mina terrestre que explodiu , levando um pedaço da sua perna que  infelizmente  teve que  ser amputada. Para mim e para uma grande parcela dos leitores da revista, foi um trauma tremendo. Meu sonho acabara de ruir. Eu definitivamente não queria morrer ou ser mutilado em uma guerra. Daquele dia em diante, eu me voltei contra as tragédias  e o lado negro da vida. Eu passei a fotografar a vida e a enaltece-la. Tenho a consciência de ser um positivista e de preferir fotografar o lado branco da vida, o lado da luz…. A foto acima representa bem o meu estado de ser. Ela foi clicada em  um rio de degelo na Cachemira, no território de guerra entre a Índia e o Paquistão, nos contrafortes dos Himalaias.Naquele dia, no intervalo de um armistício, indo contra os meus princípios,  tentei várias vezes mirar a minha câmera para fotografar os blindados do exército da Índia que se camuflavam no meio da vegetação, mas vislumbrava de viés pela minha teleobjetiva que era eu que estava sendo mirado pelas metralhadoras e pelos fuzis AR 15.Algo falou dentro de mim para desistir disso porque poderia me dar mal nessa situação. Virei as costas para o arsenal bélico e caminhei até o pequeno riacho e vi a alegria da molecada brincando nas águas geladas. Fiz alguns cliques e escolhi esse para homenagear `a vida,`as crianças e a mim mesmo…. É isso.

Picture by Franklin Nolla.

PS- Algumas horas após ter escrito esse texto, recebi  a notícia de  que dois jornalistas ocidentais haviam sido mortos na cidade sitiada de Homs na Siria pelas forças do presidente  Bashar Al-Assad.  Marie Colvin,americana, e Remi Ochlik, francês, eram veteranos repórteres de guerra no oriente Médio e em outros locais de conflitos. A casa  em que estavam abrigados em Homs fora severamente bombardeada por morteiros e mísseis. Segundo relatos da jornalista, antes de morrer , a população civil de Homs, estava  sendo massacrada  pelos  bombardeios e atiradores de elite das tropas leais ao governo.


Quem é Anousheh Ansari?

O para-quedas se desloca suavemente em direção  ao solo no  deserto no Cazaquistão, trazendo a cápsula espacial Soyuz de volta a Terra com 3 cosmonautas a bordo. Depois do impacto violento no solo e após parar definitivamente, a equipe de resgate do centro espacial russo, abre cuidadosamente a escotilha de acesso ao interior  da cápsula. As imagens mostram 2 homens e uma mulher, foco das atenções dos cameras e da imprensa internacional ali presente. A moça atordoada  e com o olhar meio confuso, esboça um sorrisso (  a reentrada na atmosfera faz com que a cápsula vire uma bola de fogo que só não frita os tripulantes por causa dos isolantes térmicos ) . Seu nome é Anousheh Ansari, a primeira mulher  turista  a visitar a Estação Espacial Internacional e retornar a Terra no dia 18 de Setembro de 2006. Um marco para os cidadãos comuns que se aventuram pioneiramente no espaço sideral.Ansari contribuiu  com U$ 20 milhões para a Agência Espacial Russa que em parceria com a empresa privada Space Adventurers, vende viagens espaciais para quem  puder pagar a “modesta” quantia para viajar em um pacote de 10 dias  na  Estação Espacial Internacional (ISS). O programa espacial soviético foi severamente abalado no governo Gorbatchev que decretou o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Isso acarretou  cortes de verbas e recursos financeiros que eram utilizados para o financiamento do programa espacial. A saída para os cientistas russos foi a de ofertar tecnologia espacial para viagens sub-orbitais  de turismo. Cada lançamento de cosmonaves no centro de lançamentos de Baikonur no Casaquistão custa por volta de U$ 20 milhões, valor pago pela milionária iraniana naturalizada americana. Ansari havia dito antes do vôo em uma entrevista que iria em uma viagem pelo espaço, mesmo que não houvesse  a volta `a Terra, tamanha era a sua paixão e fascínio pela exploração do espaço. De volta a cena inicial, a milionária recebeu um buquê de rosas e o sorriso aumentou progressivamente, mostrando a felicidade dela em ter realizado o sonho de sua vida.

A pergunta é, quanto vale um sonho???

Para quem quiser ver detalhes e a história completa do vôo, veja o documentário “Space Tourists” que foi ao ar na tv Cultura no dia 10/03 /2011.

Foto-NASA.