All content @ by Franklin Nolla

Posts com tag “Família

A dona da vóz .A garra e a fibra de Elza Soares.

“Olha aí , ai  o meu guri…oóoorrrggghhhlha aí… é o meu guri.”

Na semana passada , fui jantar no Sesc Pinheiros e ao sair apareceu um cara que me ofereceu um ingresso grátis para um show que iria começar nos próximos 5 minutos. Lá estava ela, a figura pequena e ao mesmo tempo grandiosa da veterana cantora Elza Soares. No primeiro momento que soltou a vóz , as caixas de som estremeceram. A platéia ficou atônita e ao final da música uma explosão de palmas em gol,  que  o genial Garrincha (foi marido da Elza) fazia brincando. Eu vi o gênio da bola jogar no Pacaembu  . Eu acompanhei o drama dos dois quando ele se separou da sua primeira  mulher  ( gerou um monte de filhas)  para ficar com a Elzinha. Na época , acho que  anos sessenta, o país inteiro caiu de “pau” sobre ela. Imagine um cara se separar da mulher com uma “penca”de filhas para casar com uma novata cantora de samba. Ela comeu o “pão que o diabo amassou”. A imprensa caiu matando em cima dela. Eu mesmo, um moleque , fiz chacota com a vida dos dois. Não tinha uma pessoa que os defendesse. Para a “família brasileira”, Elza era uma p… que havia arruinado a vida do grande Garrincha, da família, das filhas e  etc………Anos se passaram  e   a verdade viria a tona, ao mostrar o grande alcoólatra, Garrincha,  que havia perdido a vida para a cachaça. Uma tragédia dupla para a Elza , a perda do Mané Garrincha e do Garrinchinha  , único filho do jogador com  ela  ,que veio falecer aos 8 anos  em um acidente de automóvel após visitar o túmulo do pai….

O tempo passou…o ostracismo chegou …. e finalmente a grande cantora deu a volta por cima. Deu uma “palha” na música “Língua” no disco do Caetano Veloso e foi o ínicio do ressurgimento da polemica cantora…. É muito bacana ver um bando de jovens e de cinquentões na platéia , ovacionando e aplaudindo de pé , a performance da senhora cantora ou cantora senhora, que passou a maior parte do show  sentada por causa de uma cirurgia na coluna. Ela cantou rap, samba, Mpb, jazz e como não poderia deixar de ser, músicas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Foi um Carnaval na platéia. Entre uma pausa nas músicas, ela disse que Deus havia brindado-a com cordas vocais iguais a de um contrabaixo. Eu ratifico plenamente , porque é impressionante o alcance da vóz rouca e grave da “fabulosa” Elza. De quebra, uma aparição de uma  cantora paraense,  Gabi Amaranto, que  cantou duas músicas e foi se juntar a dona da vóz , a grande artista, na apoteose final  do show .

Picture by Odeon/Google

BE-elzasoares


OFF LINE/FORA DO AR

CAROS AMIGOS, AMIGAS,LEITORES,ADMIRADORES, CURIOSOS.

INFELIZMENTE ESTAREI AUSENTE ALGUNS DIAS POR PROBLEMAS FAMILIARES.OBRIGADO.

DEAR FRIENDS AND READERS. I’LL BE OUT OF MY  OFFICE FOR A FEW DAYS.

TROUBLE WITH MY RELATIVES.THANK YOU.


Um Menino.Um Autódromo.Uma Berlineta.Uma Liberdade sem Limite.

Eu era um menino desgarrado da família tradicional dos anos 60. Embora filho único,  meus pais não davam muita bola para mim. Por um lado era ruim e por um lado muito bom. Eu morava com a minha avó e a minha liberdade  era sem limite. Aos 12 anos , depois de cumprir as minhas obrigações escolares, eu pegava dois ônibus para ir de Pinheiros ao Autódromo de Interlagos, que era no meio de um matagal , para ver os treinos preparatórios  para as corridas . Desde a mais tenra idade , eu sempre  gostei de automóveis porque eu tinha um  tio que  era dono de uma agência de autos usados  e vira e mexe , eu passeava com os carrões dele. Nos dias de corrida aos sábados e  domingos, eu inventava uma estória e sumia para ir ao Autódromo. Foi lá que vi pela primeira vez um carro que eu me apaixonei até hoje. Era o Willys Interlagos Berlineta de número 22,  derivado do Renault Alpine  A108  e pilotado por Bird Clemente.O carrinho amarelo de 70 HPs de potência.  enchia o meu coração de alegria. Entrava nas curvas de lado e dava um “pau federal”  nos DKWs, Fuscas, Gordinis, Simcas ,  Jks  e outros “dinos”  rodantes . Antes do anoitecer, eu voltava para casa no sábado e no domingo cedinho eu retornava para ver o final da corrida,  que naquela época durava de 12 a 24 horas, como as 1000 Milhas Brasileiras   e as 24 horas de Interlagos. Na maioria das vezes eu ia só, e  aos 16 anos eu já ia com alguns amigos , sempre furando a cerca na curva da junção. Era muito legal e eu era feliz e sabia. Bons tempos de liberdade sem a violência de hoje. Esses fatos na minha memória foram despertados por um ” press-release” na imprensa internacional divulgando o lançamento do novo Renault Alpine A 110/50 Concept 2012  para comemorar os 50 anos do pioneiro e lendário modelo dos anos 60s.

Pictures by Renato Bellote (Berlineta) e Net Car Show (Alpine A110/50).


Cara mamma. La nave va !

 Uma cena de praia nos anos 50s. No lado direito da foto um homem  com aparência de 45 anos vestindo um enorme calção de banho que não conseguia esconder  a gigantesca barriga. No centro um menino magrela com 5 anos e cabelo escovinha e a  esquerda uma mulher com 20 anos, gatíssima, morena , com um maiô Catalina azul marinho, contrastando com a brancura da sua pele… Essa foto tirada com uma Rolleyflex 6×6 cm em P&B, retratava meu avô, eu e a minha mãe  por ocasião da primeira vez que eu estive em uma praia na minha vida. Ela está guardada em uma caixa de fotografias  que está  em algum lugar inacessível no  quarto da bagunça na minha casa. Não sei bem porque, ela está gravada na minha memória em 4 cores. Hoje pensei nela o dia inteiro enquanto via a figura velha e desgastada da minha mãe em um leito de hospital, lutando para se manter viva. Infelizmente sinto que a viagem dela  está chegando ao fim. As constantes  idas ao hospital estão se tornando uma rotina que eu já não estou suportando. Tenho que  participar desse processo sem a ajuda de nenhum parente ou sequer de  uma amiga ( dela ).A minha mãe nunca cultivou uma amizade e sequer valorizou  laços familiares por causa de uma atitude semi- autista, mergulhada em seu pequeno mundo de solidão. Nunca consegui entender o seu modo de vida . Nunca entendi a forma tosca de me amar sem um único toque de carinho e de emoção. Sei que  me ama, mais jamais verbalizou ou insinuou isso. Nos últimos anos, a idade avançada e o começo de uma doença cerebral  fez com que ela se tornasse amarga, arredia,  rabugenta, agressiva, e principalmente teimosa ao não aceitar colaboração de  profissionais que querem ajudá-la. Para ela só restou uma pessoa na vida…. Eu…. Por isso estou escrevendo esse pequeno texto meio truncado pela emoção  para manifestar o meu sentimento que nunca falei  e que falarei amanhã cedo- ” Mãe…. Eu te amo ….

Em tempo, depois de 6 dias,  hoje eu vou dormir bem e na minha cama. Aleluia!

Domani, estarei bem cedo lá  no hospital para ajudar na  recuperação.

foto- maiôs Catalina de 1954- o escuro era igual ao da minha mãe.