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A minha Manhattan Paulista.

Manhattan PaulistaEssa foto vai ser histórica. Tenho a certeza que daqui a 10 anos , a região de Pinheiros estará desenvolvida como o centro de Manhattan , principalmente no eixo da avenida Faria Lima. O metro quadrado construído já é um dos mais valorizados de São Paulo. Em pouco tempo será o lugar mais caro da cidade. Nasci aqui em uma casinha bem  modesta e  que em breve será engolida e posta abaixo devido a expansão imobiliária. Uma pena. Eu vi o desaparecimento do antigo Mercado de Pinheiros, que perto da sua entrada principal abrigava um bebedouro de água para cavalos,  em forma de  taça de vinho, onde eu ficava apreciando os animais com suas respectivas carroças. Vi o fim do antigo Largo da Batata, lugar de concentração de vários estabelecimentos com  galpões repletos de batatas até o teto. O  meu pai ia  visitar os amigos batateiros e ganhava  sacos de 5 quilos do alimento ,  que fazia a delícia do meu almoço e jantar , com o  feijão com  arroz , bife  e  batata  frita. Vi o fim dos bondes elétricos que faziam a volta no Largo dos Pinheiros e retornavam para o centro da cidade.Vi o fim dos ônibus elétricos. Vi o fim da Cooperativa Agrícola de Cotia, uma potência no mercado  de hortifrutigranjeiros que foi para o brejo em uma crise vertiginosa e inacreditável. Também presenciei o nascimento da avenida Faria Lima, o impulso imobiliário dado pela construção do Sesc Pinheiros e o enfim …ufa.. ínicio do serviço de Metro no bairro e que agora aguardo ansiosamente o final das obras de revitalização do Largo da Batata e do baixo Pinheiros e que verei, se Deus quiser, o nascimento da minha Manhattan Pinheirense. O Brasil cresce,  São Paulo cresce , Pinheiros cresce. Para onde eu vou?  Como dizia o meu avô… “Vou morar no mato”…

Ps: Agradeço aos persistentes leitores por terem prestigiado o meu blog em um longo período de turbulências com muitas crises , muitos dissabores e finalmente com muitas soluções.Obrigado.

Picture by Franklin Nolla.


A dona da vóz .A garra e a fibra de Elza Soares.

“Olha aí , ai  o meu guri…oóoorrrggghhhlha aí… é o meu guri.”

Na semana passada , fui jantar no Sesc Pinheiros e ao sair apareceu um cara que me ofereceu um ingresso grátis para um show que iria começar nos próximos 5 minutos. Lá estava ela, a figura pequena e ao mesmo tempo grandiosa da veterana cantora Elza Soares. No primeiro momento que soltou a vóz , as caixas de som estremeceram. A platéia ficou atônita e ao final da música uma explosão de palmas em gol,  que  o genial Garrincha (foi marido da Elza) fazia brincando. Eu vi o gênio da bola jogar no Pacaembu  . Eu acompanhei o drama dos dois quando ele se separou da sua primeira  mulher  ( gerou um monte de filhas)  para ficar com a Elzinha. Na época , acho que  anos sessenta, o país inteiro caiu de “pau” sobre ela. Imagine um cara se separar da mulher com uma “penca”de filhas para casar com uma novata cantora de samba. Ela comeu o “pão que o diabo amassou”. A imprensa caiu matando em cima dela. Eu mesmo, um moleque , fiz chacota com a vida dos dois. Não tinha uma pessoa que os defendesse. Para a “família brasileira”, Elza era uma p… que havia arruinado a vida do grande Garrincha, da família, das filhas e  etc………Anos se passaram  e   a verdade viria a tona, ao mostrar o grande alcoólatra, Garrincha,  que havia perdido a vida para a cachaça. Uma tragédia dupla para a Elza , a perda do Mané Garrincha e do Garrinchinha  , único filho do jogador com  ela  ,que veio falecer aos 8 anos  em um acidente de automóvel após visitar o túmulo do pai….

O tempo passou…o ostracismo chegou …. e finalmente a grande cantora deu a volta por cima. Deu uma “palha” na música “Língua” no disco do Caetano Veloso e foi o ínicio do ressurgimento da polemica cantora…. É muito bacana ver um bando de jovens e de cinquentões na platéia , ovacionando e aplaudindo de pé , a performance da senhora cantora ou cantora senhora, que passou a maior parte do show  sentada por causa de uma cirurgia na coluna. Ela cantou rap, samba, Mpb, jazz e como não poderia deixar de ser, músicas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Foi um Carnaval na platéia. Entre uma pausa nas músicas, ela disse que Deus havia brindado-a com cordas vocais iguais a de um contrabaixo. Eu ratifico plenamente , porque é impressionante o alcance da vóz rouca e grave da “fabulosa” Elza. De quebra, uma aparição de uma  cantora paraense,  Gabi Amaranto, que  cantou duas músicas e foi se juntar a dona da vóz , a grande artista, na apoteose final  do show .

Picture by Odeon/Google

BE-elzasoares