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O que restou de um sonho.

Uma vez por mês, o velho Gaeta lotava de pessoas  a  Kombi de entrega dos guarda-chuvas de sua fábrica, para levar os seus filhos e o amigo deles , no caso eu,  para ver os aviões pousando em Congonhas. Era um grande barato chegar ao segundo piso do aeroporto, onde havia um mirante para as pessoas observarem   o movimento dos aviões nos incessantes pousos e decolagens . Fazíamos uma aposta para ver quem  sabia mais e quem conhecia mais sobre os diversos modelos das aeronaves. O Yopa, o  Arnaldinho,  sempre ganhava. Sabia de tudo e de todos. Não deixava brecha para o agregado ganhar uma só vez.Que porre….hein! E  que coisa boa. A minha imaginação permitia devaneios de que um dia quando eu crescesse, eu poderia viajar  de avião para conhecer  várias partes do mundo. Mal sabia que a minha profissão (fotojornalista) no futuro iria permitir isso. Foi um sonho que se materializou.Até hoje fico muito grato ao  “little”, o velho Gaeta, por ter me dado a oportunidade de sonhar  em viajar no Caravelle, no Electra, no Avro, no Samurai, no BAC One Eleven , no DC8, no Boeing 707, no Jumbo e nos aviões mais recentes.

Hoje a realidade é outra.Fico com dó das crianças por não poderem sentir o que eu senti. Não existe mais o mirante,  o  que tem é um mínimo cantinho ao lado do restaurante outrora panorâmico, disputado ferrenhamente por alguns pais nostálgicos como eu, para mostrar um pouquinho aos seus filhos,  o antigo glamour do romântico Aeroporto de Congonhas, nem que seja por pouco segundos, que é  o que se consegue ver no pequeno raio de visão. Tudo é muito rápido. Tudo é fugidio. Os espaços são pequenos. Os lucros são grandes. O sucateamento dos aeroportos esta aí para todo mundo ver. Agora vem a Copa de Futebol e as Olimpíadas. Tudo será reformado e ampliado a peso de ouro. Muita grana vai rolar. Mas o que me interessa é saber se algum arquiteto ou  engenheiro projetista vai pensar em construir  algum mirante, algum espaço para se poder  visualizar as operações? Aposto que não… porque eles não tiveram  a oportunidade de conhecer o velho Gaeta para leva-los  a ver os aviões.

foto-Franklin Nolla.


Maior que Manhattan.

Como um piloto frustrado, só me resta parabenizar a cidade de São Paulo que ultrapassou Manhattan, NY, USA na quantidade de helicópteros utilizados  na Capital Paulista. São mais de 500 aeronaves circulando sobre as nossas cabeças. Como sou apaixonado pelas cadeiras voadoras, que custam entre R$ 700 mil a R$ 3 milhões, e não tenho grana sequer para trocar o carro, fico cavando sempre uma oportunidade para voar, visto que sou um especialista em clicar fotos aéreas profissionais. Graças a Deus , tenho clientes  que me contratam para fotografar e filmar  as suas empresas. Para mim , é sempre um prazer e divertimento, trabalhar com esse tipo de imagem. As vezes pratico uma relação custo-benefício muito favorável aos empresários, só para poder ter o imenso prazer de voar. Para mim duas coisas não tem limites- o céu e as as altas montanhas. O som do motor/rotor  da aeronave e os sinais de “fasten seat belts” sempre causam  um grande “frisson”…. A cadeira voadora saindo do solo de lado, é um grande barato… Pena que acabe tão rápido. (geralmente 1 hora)…

foto-Franklin Nolla.