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É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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A saga do povo tibetano pelo Tibete livre.Free Tibet.

O grande mérito do filme “7 anos no Tibete”  é contar  como o povo Tibetano foi subjugado pelas hordas militares chinesas de Mao Tse Tung. A ocupação chinesa do território Tibetano prevalece até hoje  e os esforços diplomáticos internacionais dos governos do ocidente e os dos  movimentos pró Free Tibet,  praticamente não sensibilizam  o governo chinês e no meu entender será difícil de sensibilizar, já que o Tibet é rico em recursos naturais minerais e os chineses não irão querer abrir  mão dessa riqueza a céu aberto. Uma pena.

Hoje, Lhasa é uma cidade totalmente tomada pelos chineses da etnia Han, que foi patrocinada pelo governo central da China e incentivada  a “colonizar”  a cidade,  tomando o lugar dos originais habitantes da etnia tibetana. Pouco pode se ver da antiga Lhasa de antes da dominação chinesa. Os pontos mais preservados são o portentoso e monumental Palácio Potala (antiga residência dos Dalai Lamas – hoje museu) o belo e místico Monastério Budista de Jokhang, o pequeno gueto do bairro Tibetano e o Palácio de Verão do Dalai Lama (museu) de onde ele iniciou a fuga para o  exílio em Dharamsala  na Índia e o Monastério de Drepung,uma cidadela afastada do centro de Lhasa. Todos os locais  levam a uma viagem ao passado glorioso dos Tibetanos. O povo  do Tibete  é dócil, simpático, amável e hospitaleiro… Já  os chineses de Lhasa… é melhor não comentar…

Vale a pena assistir ao filme ”  7 anos no Tibete ” do cineasta francês Jean Jacques Annaud, de 1997, estrelado por Brad Pitt e David Thewlis. Alem do enredo ser  emocionante, aprende-se muito sobre a história atual dos dois países.

Picture by Franklin Nolla –  vista do Palácio Potala de cima do teto do Monastério Jokhang/Lhasa/Tibet.


A Monalisa de Varanasi.

Um presente para vocês que aguardaram  o novo template do Rang Birangi. Essa foto é de uma noiva indiana se preparando paro o casamento nos “Gaths” – escadarias `a beira do rio Ganges na cidade sagrada de Varanasi – ex- Benares.Os casamentos nas margens do rio, são um dos mais felizes rituais da consagração da vida no Hinduísmo. Dezenas de noivos se encontram nos Gaths em um determinado dia , para perpetuarem o compromisso acordado pelos seus  pais,  através de contratos familiares,  onde o noivo e a noiva não tem o livre arbítrio de escolherem os seus pares pelo resto de suas vidas. O que se vê são jovens felizes ,com algumas exceções, ávidos para se realizarem com seus parceiros. As mulheres, via de regra , são muito bonitas, adornadas pelos tecidos finos e coloridos dos seus saris  com predominância da cor vermelha. Os adornos de ouro, como brincos, colares, pulseiras, correntes, piercings são um espetáculo a parte. Essa moça me deixou fotografá-la, com a permissão do noivo, e esse click  acabou sendo uma das melhores fotos de portraits que fiz até hoje. Me lembro muito bem da atmosfera da magia e do perfume que ela  exalava de seu singelo rosto. O mistério do seu  olhar e a forma dos olhos me permitem ter a ousadia de dizer que essa moça poderia ser bem a Monalisa indiana e olha que no final das contas , ela é bem mais bonita.

creditos- Foto e têxto – Franklin Nolla.

ps- Com o novo template, é possivel migrar para o meu site/portfólio, flickr (ainda na construcão das galerias de fotos), facebook e twitter e vice-versa. Por favor, visitem. Obrigado.


Um dia inesquecível.

A caminho de Le,  capital da região do Ladhak, Índia, eu avistei da estrada este local e pedi  ao Manoel, meu guia, para que averiguasse a possibilidade de se pernoitar lá.. Ele foi verificar a infraestrutura do local e deu o sinal de positivo, já que não estava previsto um pernoite no meio do caminho.Naquele dia eu não sabia quanto seria legal  permanecer na pequena cidade de  Lamaiuru, em parte construída entre os rochedos , que dão o ar sui-generis  ao local.Esse dia foi marcante na minha vida .Eu visitei o monastério budista pela manhã e após o almoço , saí para perambular e fotografar a arquitetura da cidade. No meio da tarde, encontrei dois jovens  brasileiros que  me acompanhavam na viagem e fomos ver o pôr-do-sol em uma colina defronte ao vale. O entardecer foi maravilhoso e o piscar  das primeiras luzes se acendendo nas casas  no cair da tarde foi muito especial. Como observadores privilegiados ,por causa da altura que estávamos, assistiamos o passar das horas contemplando a  monotonia do dia a dia dos moradores locais. Aí a temperatura despencou e chegou perto do zéro grau Celsius. A volta para o hotel foi  enrregelante, mas o coração estava feliz e a mente repleta de lindas imagens que retive na memória até hoje. Essa lembrança eu revivi  no entardecer de Sampa devido ao friozinho que estamos passando, um pouco parecido com o da região montanhosa da Índia…….só um pouco.

foto-Franklin Nolla.


Os sobreviventes. The survivors.

No deserto de altitudes do Ladhak, Índia,   há poucas árvores, portanto não existe madeira disponível para  se utilizar como combustível , tanto para cozinhar como para aquecer as casas no rigoroso inverno. Mas como contornar esse problema em um lugar tão remoto da civilização? O jeito que os habitantes das altitudes dos Himalaias encontraram é sui-generis. A maioria dos jovens e crianças de Lamairu ficam perambulando o dia todo pela cidade e pelos arredores ‘a cata de estrume dos animais, principalmente os  de vaca ,  que  são grandes e com boa consistência. Enchido o cesto , eles vão para as suas casas  para processarem as fézes, amassando-as e moldando-as como se fossem pão sírio. Depois de enformados , eles colocam o bolo de estrume para secar ao sol. Depois de sêcos, eles estão  prontos para serem queimados no fogão a lenha, ops, a estrume e também para serem consumidos na lareira. Outra utilização do valioso bolo, é o de servir como liga para assentamentos de tijolos e pedras na construção das casas e muros.Também é utilizado como rejunte.

Quando eu vi esse garoto,  abordei-o e fiz o click. Tentei conversar com ele em Inglês,  mas ele só falava a língua local. Foi uma pena, porque eu queria saber mais a respeito da atividade dele. Sobrou para mim, o respeito e a  admiração para com um povo lutador e persistente no difícil dia a dia da sobrevivência.

foto-Franklin Nolla


Anéis e badulaques.

Esse click foi feito em Nova Delhi, senão me engano, dentro de um templo Jainista. As pessoas tiram os calçados ao adentrarem no templo em reverência as divindades que lá estão  representadas. A mulher em questão, não gostou quando eu mirei nos seus pés, rápidamente ela se mandou, evidenciando o movimento feito pelo sari , só que eu fui mais rápido e tá aí a foto.

foto- Franklin Nolla.


Refugiados na Cachemira. Refugees.

Nas matas e  florestas  da  Cachemira, Índia,  avistei vários campos de refugiados que não consegui identificar de que países  e etnias eram ,  devido a pouca vontade de falar dos anfitriões kashimirs. Acho que eram paquistaneses, por  causa  do conflito constante entre Índia X Paquistão ( junto com rebeldes da própria Cachemira). O fato de estar sendo guiado por guia  brasileiro , que já havia feito ‘a logística com as autoridades  locais,  facilitava muito a locomoção pelos meandros da região. Havia  uma certa admiração pelo fato de eu ser  conterrâneo do Ronaldo & Cia .Vi um povo forte e obstinado com o fim das escaramuças entre os conflitantes  , visto que o estado de guerra latente é sempre uma constância. Mas o que se há de fazer, pensam os civis que almejam a paz,  a vida continua e deve ser vivida como se não houvesse a ameaça diaria de morrer em uma explosão ou uma bala perdida  no meio dos atentados. Brava gente que enfrenta diariamente a morte. Quanto aos refugiados, é muito triste vê-los sem esperança. Quando algo de novo aparece, como no meu caso, uma centelha de felicidade irradia pelos seus olhos,  mas …logo, logo se dissipa.

foto- Franklin Nolla.