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É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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Um dia inesquecível.

A caminho de Le,  capital da região do Ladhak, Índia, eu avistei da estrada este local e pedi  ao Manoel, meu guia, para que averiguasse a possibilidade de se pernoitar lá.. Ele foi verificar a infraestrutura do local e deu o sinal de positivo, já que não estava previsto um pernoite no meio do caminho.Naquele dia eu não sabia quanto seria legal  permanecer na pequena cidade de  Lamaiuru, em parte construída entre os rochedos , que dão o ar sui-generis  ao local.Esse dia foi marcante na minha vida .Eu visitei o monastério budista pela manhã e após o almoço , saí para perambular e fotografar a arquitetura da cidade. No meio da tarde, encontrei dois jovens  brasileiros que  me acompanhavam na viagem e fomos ver o pôr-do-sol em uma colina defronte ao vale. O entardecer foi maravilhoso e o piscar  das primeiras luzes se acendendo nas casas  no cair da tarde foi muito especial. Como observadores privilegiados ,por causa da altura que estávamos, assistiamos o passar das horas contemplando a  monotonia do dia a dia dos moradores locais. Aí a temperatura despencou e chegou perto do zéro grau Celsius. A volta para o hotel foi  enrregelante, mas o coração estava feliz e a mente repleta de lindas imagens que retive na memória até hoje. Essa lembrança eu revivi  no entardecer de Sampa devido ao friozinho que estamos passando, um pouco parecido com o da região montanhosa da Índia…….só um pouco.

foto-Franklin Nolla.


Os sobreviventes. The survivors.

No deserto de altitudes do Ladhak, Índia,   há poucas árvores, portanto não existe madeira disponível para  se utilizar como combustível , tanto para cozinhar como para aquecer as casas no rigoroso inverno. Mas como contornar esse problema em um lugar tão remoto da civilização? O jeito que os habitantes das altitudes dos Himalaias encontraram é sui-generis. A maioria dos jovens e crianças de Lamairu ficam perambulando o dia todo pela cidade e pelos arredores ‘a cata de estrume dos animais, principalmente os  de vaca ,  que  são grandes e com boa consistência. Enchido o cesto , eles vão para as suas casas  para processarem as fézes, amassando-as e moldando-as como se fossem pão sírio. Depois de enformados , eles colocam o bolo de estrume para secar ao sol. Depois de sêcos, eles estão  prontos para serem queimados no fogão a lenha, ops, a estrume e também para serem consumidos na lareira. Outra utilização do valioso bolo, é o de servir como liga para assentamentos de tijolos e pedras na construção das casas e muros.Também é utilizado como rejunte.

Quando eu vi esse garoto,  abordei-o e fiz o click. Tentei conversar com ele em Inglês,  mas ele só falava a língua local. Foi uma pena, porque eu queria saber mais a respeito da atividade dele. Sobrou para mim, o respeito e a  admiração para com um povo lutador e persistente no difícil dia a dia da sobrevivência.

foto-Franklin Nolla