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É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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Nas magníficas montanhas do Senhor.

  Coincidentemente, hoje 22/04/2011,  honramos a Paixão de Cristo e o dia mundial do Planeta Terra. Uma data triste  e uma data memorável  para os cristãos e para toda a humanidade. Para homenagear a ambos, escolhi uma foto tirada da ISS -Estação Espacial Internacional que mostra o platô Tibetano e mais precisamente no centro o Monte Everest ,( na frente das nuvens), reinando soberano acima das maiores montanhas da Terra. Acima dele, só o reino do Senhor.Essa foto é da NASA, tirada  com uma potente teleobjetiva no ano de 2004 – foto Terra/Nasa.

Já a foto abaixo, foi tirada por mim ,  em 2005, a quase 6 mil metros de altura. Estava no Mt Pumori, um dos 5 maiores do mundo para clicar o soberano Mt Everest. Já era no final do dia e as nuvens impediam a visão da enorme montanha e aí milagrosamente elas baixaram um pouco e pude vislumbrar toda a beleza de Chomonlugma ( mãe deusa Terra em Tibetano), 2 minutos antes do pôr-do-sol. A temperatura beirava os 20 graus negativos e  os meus pés estavam quase a ponto de congelar.Movimentos   e pulinhos  para lá e para cá impediam temporariamente o desastre. O meu guia, Manoel Morgado pedia que abandonássemos a montanha antes do cair da noite por motivo de segurança e eu insistentemente pedia que esperasse um pouco mais, até o último raio do sol parar de iluminar o ponto mais alto do Planeta. Valeu a pena insistir.

Essa é a minha singela homenagem ao Senhor e a nossa querida  mãe Terra.

foto- Franklin Nolla/Estúdio Franklin Nolla.


Prá dizer adeus.

Desde menino, tenho sempre uma indagação. Por que só os bons morrem?  Ditadores, canalhas, corruptos,bandidos, pulhas e outros que tais, difícilmente morrem. Estão aí só  para atazanar a vida das pessoas de bem.Hoje foi embora o ex vice-presidente José de Alencar,  uma pessoa equilibrada que mantinha  sempre o  bom humor apesar da doença terrível que o consumia. Uma pena.

A foto escolhida para ilustrar esse breve comentário, é a do memorial da trilha do monte Everest, local de homenagens e reverência as vitimas da montanha mais alta do mundo e das montanhas adjacentes .Lá está Babu Giri, o maior recordista dos que se aventuraram a escalar o cume . Também se reverencia a Scott Fischer , alpinista morto citado no livro “No ar rarefeito” de John Krakauer e deve estar lá também a alpinista sherpa Pemba que foi  a última nepalesa a atingir o cume no final do século passado . Na ocasião que fiz a trilha, ela me deu algumas dicas valiosas de como sofrer menos na difícil caminhada. No decorrer da viagem fui guiado pelo Manoel Morgado e aí as coisas  se tornaram  mais fáceis.

Para chegar ao memorial, sofri  um bocado em uma interminável subida, mas a recompensa foi  uma visão maravilhosa da cadeia de montanhas dos Himalayas.

Beleza pura.


Lá na ponta do Brasil

Olá pessoal. Enfim estou em São Paulo novamente. Demorei um pouco mais que o previsto, afinal de contas estava caminhando lá pelas fronteiras do Brasil com a Venezuela e a Guiana (ex-Inglesa). Consegui chegar ao topo do Mt. Roraima, que faz parte dos tepuis (montanhas em forma de mesas) venezuelanas. Quase 2/3 da superfície da montanha pertence a Venezuela, o restante é dividido entre o Brasil e a Guiana, com um pouco mais de território para os brazucas. O acesso  ao monte é feito pela aldeia indígena Paratepuy, depois de passar pela cidade fronteiriça de Santa Elena. Uma vez lá, rápidamente  começa a longa caminhada rumo ao cume. Amanhã  inicio a série de fotos e relatos da aventura pelas terras de Macuneima.

fotos: Franklin Nolla