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O primeiro filme da minha vida – Hopalong Cassidy – First movie of my life.

hopalong  Graças a um tio que trabalhava em uma fábrica  de televisores, nos longinquos  anos 50s, a minha avó foi a primeira pessoa da rua  a ter um aparelho de tv em casa. A marca , não lembro mais, talvez Invictus. As emissoras de tvs  no Brasil estavam engatinhando com  as suas programações.  As transmissões ao vivo e em Preto & Branco , começavam na parte da manhã com o o logotipo da TV Tupi canal 3 , um indiozinho parado na tela. Eu   ficava aguardando o momento da emissora  entrar no ar. Era uma ansiedade que eu  tinha  para ver o que iria acontecer,  lógico que  ficava torcendo para aparecer os desenhos animados do Pica-Pau e talvez  dos Looney Tunes. Me lembro que a noite,  juntava a maior galera para ver o repórter Esso e depois os filmes do cowboy Hopalong Cassidy, não me lembro se eram na forma  de  um seriado,  que foram os primeiros filmes que assisti na minha vida. Eu era muito pequeno e minha memória  também,  mas me lembro muito bem das correrias e perseguições a cavalo que aconteciam no velho oeste norte-americano , que me deixavam fascinado ao ver as belas paisagens montanhosas  dos territórios indígenas  americanos. Centenas de tiros pra lá… centenas pra cá…. e  não entendia muito bem o enredo,  mas adorava  a ação. Eu ficava intrigado e questionava “Como que o Hopalong  Cassidy  (que para mim,  tinha a cara de um  velho em um  corpo de  jovem) podia fazer tantas peripécias e malabarismos” , o que  me aguçava a  perguntar aos meus familiares … Porque o meu avô não podia fazer o mesmo….? Fantasias infantis a parte, os bang-bangues me deliciavam,  curtia muito  os revólveres e sempre  enchia o saco do Papai Noel com bilhetinhos  pedindo os seguintes  brinquedos de Natal:  um revolver , um cinto e uma cartucheira cheia de espoletas , cujo objetivo era o de  azucrinar os vizinhos com uma puta barulheira. O tempo foi passando , fui crescendo e cada vez mais gostando dos “Westerns”.  Audie Murphy,  John  Wayne, Alan Ladd, Clint Eastwood eram os heróis da minha pré-adolescência até que um dia apareceu um filme chamado O Dolar Furado, um bruta sucesso,  com um cara desconhecido chamado Montgomery Wood , pseudônimo  do ator italiano Giuliano Gemma (recem falecido) e que me fez  escrever esse texto para homenagear  os bons momentos que tive ao assistir os ” Spaghetti Westerns”,  filmes de  faroeste  feitos na Italia e dirigidos  na maioria das vezes  por italianos como o destacado Sergio Leone. Essa febre  de filmes de caubóis italianos  contaminou alguns produtores brasileiros que  chegaram a rodar alguns filmes na região de Cabreúva,  perto de Jundiaí,  local de  paisagem parecida com a dos filmes americanos. Depois de um tempo, os filmes  do gênero  “Westerns”  praticamente foram  banidos  dos cinemas,  sendo substituídos pelos do gênero ” agentes de espionagem ( 007 ) ” e por “filmes cabeça”,  políticos e engajados,  que ajudavam os  jovens da época,  a sonhar com a Liberdade e com os Direitos Individuais que haviam  sido subtraídos pela  ditadura militar que governava o Brasil.

Daí prá frente……muita gente já sabe a História…..Ratatatá…..

Picture by Google/homepages.rootsweb.ancestry.com         William Boyd no papel de Hopalong Cassidy.


A nave está pousada na Baia da Guanabara. O comandante ficou no céu. Tribute to Oscar Niemeyer.

Mac Niterói a 72Como sou apaixonado por Espaço Sideral, Naves,  Ovnis, Ufos , Discos Voadores, em 30 de Dezembro de 2010 eu fiz um post no Rangi Birangi  intitulado “Flying Saucer in the Blue Sky” saudando o ano novo de 2011 com uma imagem e uma homenagem  ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói, projetado por Oscar Niemeyer. Praticamente dois anos se passaram e o genial arquiteto não está mais na Terra.Fiz um “teaser” brincando que havia sido abduzido por uma nave, mas na verdade fui arrebatado pela beleza das linhas curvas do disco voador do Niemeyer, que para mim é uma das obras primas do “mestre”. Tudo já foi falado e escrito pela imprensa quando da morte recente do arquiteto, mas a leitura iconográfica que eu fiz da construção, ninguém viu. Agora vejam abaixo e em primeira mão um pequeno ensaio fotográfico sobre o Mac de Niterói.

All Pictures by Franklin Nolla/ Copyright Reserved/dar créditos nas fotos.

Mac Niterói 72

acervo mac niterói 72

espelho mac niterói 72
escadas int mac niterói 72

Mac Niterói e mar 72

 

 


O bondinho da pizza.

 Era um sábado a tarde  no mês de Abril  de 2011 quando resolvi pegar o bondinho nos Arcos da Lapa para rever o bairro de Santa Tereza. Uma fila enorme me aguardava e ao vê-la quase desisti. Com uma paciência de Jó, enfim consegui embarcar. Senti um desconforto e uma sensação de insegurança, principalmente ao passar em cima dos arcos, uma bruta distância em relação ao solo, com alguns alambrados de proteção visivelmente desgastados. Matei a minha saudade do local e na volta ao passar por uma casa, vi cartazes e faixas penduradas  que diziam que um bonde assassino, que não me lembro mais o número, havia causado alguma tragédia , devido as palavras de ordem e ao protesto estampado em alguns ” banners ” naquele local. Como foi muito rápido, não consegui entender muito bem do que se tratava…. Alguns meses depois, li nos jornais, a queda , seguida de morte, do turista francês. Agora , infelizmente, aconteceu a maior tragédia com várias pessoas mortas. Quem ou quais são os culpados pelo acontecido?  Acusações e suspeitas são corriqueiramente mostradas na midia todos os dias. Agora o que eu fiquei pasmo mesmo foi a constatação do  governador Sergio Cabral dizendo e  que a frota dos bondinhos está  sucateada. A minha pergunta é – contra quem ele está falando…..?  Para mim , ele está  esbravejando consigo mesmo, já que ele é o governador do Rio de Janeiro, ou seja, a autoridade competente. ….Assisti há pouco tempo  no JN que estão tentando jogar a culpa no motorneiro, que morreu no acidente, e que não pode se defender. No mínimo  é uma piada de mau gosto….Estão começando a dar um jeitinho.

Caro leitor, sinta o cheiro de “pizza do bondinho” exalando no ar.

foto-Franklin Nolla.


O céu é o limite.

A  primeira vez que tive essa sensação faz mais de 40 anos. Eu era um jovem que vivia na época da ditadura militar e que odiava o regime imposto ao povo brasileiro. Como não podia manifestar o que eu sentia, porque se falasse alguma coisa contra o regime, seria preso. Não era engajado em nenhum movimento que lutava pela libertação do jugo dos militares. Alias , era contra qualquer ato de violência de qualquer natureza. Mas de alguma forma tinha que dar vazão aos meus sentimentos de uma maneira solitária, ou seja , era simpatizante dos hippyes, do flower power e da liberdade incondicional extensiva a qualquer habitante do planeta.Através da música, muitos jovens mudavam a cara do mundo como aconteceu no festival de Woodstock. A partir daí, houve uma revolução nos costumes e uma maior conscientização política. Os meus arautos eram Bob Dylan, Joan Baez, Chico Buarque, Caetano e Gil, Geraldo Vandré  e outros mais.Na minha cabeça também entravam outros jovens cantores e artistas, misturando-se com os cantores de música de protesto. De repente o cenário começou a mudar. O primeiro baque, a primeira sensação ruim, de quebra do sonho da liberdade veio com a morte de Janis Joplin, logo depois, a morte de Jimmy Hendrix. Em seguida Jim Morrison dos Doors. Todos mortos aos 27 anos.Depois a prisão e exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil. A prisão de Vandré. Vários baques causados pela ditadura. O maior de todos os males causados a juventude. O assassinato de John Lennon. The dream is over. O sonho acabou. Depois disso a ditadura, arre, acabou também. Viva a Democracia. Novos ares varrendo de liberdade o país inteiro. O tempo foi passando, a visão do mundo mudando e as minhas crianças tornando-se adultas, fazendo com que eu seja hoje um jovem senhor. Do alto dos meus cabelos semi-grisalhos, hoje eu tive um novo baque, que me lembrou os baques do passado. A morte de uma cantora, Amy Winehouse, que não cantava músicas de protesto, mas encantava jovens e velhos com seu jeito diferente de cantar, suas músicas com batida de soul, a música negra com ares de modernidade. Uma carreira promissora ceifada mais uma vez pelas drogas e problemas existenciais.

foto-Terra.