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A dona da vóz .A garra e a fibra de Elza Soares.

“Olha aí , ai  o meu guri…oóoorrrggghhhlha aí… é o meu guri.”

Na semana passada , fui jantar no Sesc Pinheiros e ao sair apareceu um cara que me ofereceu um ingresso grátis para um show que iria começar nos próximos 5 minutos. Lá estava ela, a figura pequena e ao mesmo tempo grandiosa da veterana cantora Elza Soares. No primeiro momento que soltou a vóz , as caixas de som estremeceram. A platéia ficou atônita e ao final da música uma explosão de palmas em gol,  que  o genial Garrincha (foi marido da Elza) fazia brincando. Eu vi o gênio da bola jogar no Pacaembu  . Eu acompanhei o drama dos dois quando ele se separou da sua primeira  mulher  ( gerou um monte de filhas)  para ficar com a Elzinha. Na época , acho que  anos sessenta, o país inteiro caiu de “pau” sobre ela. Imagine um cara se separar da mulher com uma “penca”de filhas para casar com uma novata cantora de samba. Ela comeu o “pão que o diabo amassou”. A imprensa caiu matando em cima dela. Eu mesmo, um moleque , fiz chacota com a vida dos dois. Não tinha uma pessoa que os defendesse. Para a “família brasileira”, Elza era uma p… que havia arruinado a vida do grande Garrincha, da família, das filhas e  etc………Anos se passaram  e   a verdade viria a tona, ao mostrar o grande alcoólatra, Garrincha,  que havia perdido a vida para a cachaça. Uma tragédia dupla para a Elza , a perda do Mané Garrincha e do Garrinchinha  , único filho do jogador com  ela  ,que veio falecer aos 8 anos  em um acidente de automóvel após visitar o túmulo do pai….

O tempo passou…o ostracismo chegou …. e finalmente a grande cantora deu a volta por cima. Deu uma “palha” na música “Língua” no disco do Caetano Veloso e foi o ínicio do ressurgimento da polemica cantora…. É muito bacana ver um bando de jovens e de cinquentões na platéia , ovacionando e aplaudindo de pé , a performance da senhora cantora ou cantora senhora, que passou a maior parte do show  sentada por causa de uma cirurgia na coluna. Ela cantou rap, samba, Mpb, jazz e como não poderia deixar de ser, músicas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Foi um Carnaval na platéia. Entre uma pausa nas músicas, ela disse que Deus havia brindado-a com cordas vocais iguais a de um contrabaixo. Eu ratifico plenamente , porque é impressionante o alcance da vóz rouca e grave da “fabulosa” Elza. De quebra, uma aparição de uma  cantora paraense,  Gabi Amaranto, que  cantou duas músicas e foi se juntar a dona da vóz , a grande artista, na apoteose final  do show .

Picture by Odeon/Google

BE-elzasoares

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Fazer mal a imagem do Brasil .

Negligência. Essa é a palavra que define o descaso das autoridades constituídas do governo carioca  em relação as recentes tragédias que ceifaram várias vidas ultimamente no Rio de Janeiro. Infelizmente eu cliquei dois momentos, antes de acontecer,  do acidente com o bondinho de Santa Tereza e com os prédios que desabaram atrás do Teatro Municipal.Falta de sorte… azar…mau agouro… nada disso . O que está em pauta é uma absoluta falta de fiscalização e manutenção preventiva pelas autoridades competentes que deveriam tomar conta das cidades e  zelar pela segurança  dos cidadãos em qualquer rincão  desse país. Os engenheiros projetam prédios e estruturas sólidas ( as vezes bonitas ) e os governantes que se sucedem através dos tempos, não destinam a mínima verba para as manutenções necessárias que devem ser feitas em obras públicas ou privadas. Daí é só uma  questão de tempo para se concretizar a tragédia. De novo veremos mais um festival de horrores com os desmoronamentos de prédios, pontes, viadutos ,encostas,enchentes e etc e etcétera porque não há  vontade política para aumentar o número de  funcionários efetivos para a fiscalização e a manutenção desses locais . Ninguém faz nada para evitar isso. E olha que nós, os contribuintes, pagamos os maiores impostos do mundo para que haja uma administração boa e honesta, mas que infelizmente  é fajuta e  demasiadamente incompetente, independente da sigla de  quem  esteja lá .

Notem o “queijo suisso” , janelas e vãos irregulares, no prédio azul atrás do teatro, no lado esquerdo.

Vejam a superlotação do bondinho de Sta Tereza. Se você quer adrenalina e passar mêdo, aventure-se a fazer um passeio no dito cujo.

pictures by Franklin Nolla.


O bondinho da pizza.

 Era um sábado a tarde  no mês de Abril  de 2011 quando resolvi pegar o bondinho nos Arcos da Lapa para rever o bairro de Santa Tereza. Uma fila enorme me aguardava e ao vê-la quase desisti. Com uma paciência de Jó, enfim consegui embarcar. Senti um desconforto e uma sensação de insegurança, principalmente ao passar em cima dos arcos, uma bruta distância em relação ao solo, com alguns alambrados de proteção visivelmente desgastados. Matei a minha saudade do local e na volta ao passar por uma casa, vi cartazes e faixas penduradas  que diziam que um bonde assassino, que não me lembro mais o número, havia causado alguma tragédia , devido as palavras de ordem e ao protesto estampado em alguns ” banners ” naquele local. Como foi muito rápido, não consegui entender muito bem do que se tratava…. Alguns meses depois, li nos jornais, a queda , seguida de morte, do turista francês. Agora , infelizmente, aconteceu a maior tragédia com várias pessoas mortas. Quem ou quais são os culpados pelo acontecido?  Acusações e suspeitas são corriqueiramente mostradas na midia todos os dias. Agora o que eu fiquei pasmo mesmo foi a constatação do  governador Sergio Cabral dizendo e  que a frota dos bondinhos está  sucateada. A minha pergunta é – contra quem ele está falando…..?  Para mim , ele está  esbravejando consigo mesmo, já que ele é o governador do Rio de Janeiro, ou seja, a autoridade competente. ….Assisti há pouco tempo  no JN que estão tentando jogar a culpa no motorneiro, que morreu no acidente, e que não pode se defender. No mínimo  é uma piada de mau gosto….Estão começando a dar um jeitinho.

Caro leitor, sinta o cheiro de “pizza do bondinho” exalando no ar.

foto-Franklin Nolla.


1 HP fora do motor.

  Essa é a minha foto autoral da semana. Eu estava montando os equipamentos para uma sessão de fotos em Paraty quando o Caio, filho da minha cliente, me deu uma dica de fazer uma foto através da janela do portão da casa. Curioso , fui dar uma olhada e vi uma cena cena legal . Um puta jipão de 200 hps e um cavalo de 1 Hp, tendo ao fundo a baia de Paraty. Fiz uma foto tecno- romantica. Valeu a pena. Um mimo para uma segunda-feira de sol.

foto Franklin Nolla.


Visite o Real Gabinete Português de Leitura.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                Há uns 4 meses estive no Rio de Janeiro para conhecer o Gabinete Português. Sabadão de praia e estava fechado. Me consolei com um sebo ao lado e o  proprietário me contou que a Biblioteca era fantástica, o mobiliário lindo, os livros interessantes e mais piriri e pororó e que era proibido fotografar internamente a  sala de leitura. Disse que a única maneira de eu ter as fotos do lugar era comprar um livro ( com um  pouco de desconto). Não entrei nessa e resolvi voltar em outra ocasião. Pois é. Peguei uma ponte aérea e voltei em  um dia no meio da semana. Chovia pacas. Crédulo e “patso” , acabei não levando a câmera. Lei de Murphy. Pode-se fotografar a vontade. O puto me tapeou.

O que importa é que o Gabinete de Leitura é bárbaro. Maravilhoso. Me senti transportado no tempo, como se fosse um aventureiro portuga, indo consultar alguns livros que me ajudariam a singrar pelos mares nunca dantes navegado. O meu lado luso, ó Pá, estava em alta. Fiquei um tempão observando as antigas estantes de madeira bem escura contrastando com as lombadas vermelhas e douradas dos  enormes livros que repousavam em outras bibliotecas  por vários séculos nas prateleiras.De repente senti uns pingos de chuva na minha cabeça. Olhei para cima em direção a linda clarabóia com desenhos de um caleidoscópio e vi alguns vidros quebrados por onde a água escoava. Perguntei a uma funcionária por que havia goteiras e ela me respondeu que estavam com problemas na estrutura do teto. Torci para o problema ser sanado logo, pois o rico acervo poderia ser prejudicado…. Viajei com a informação de que o Machado de Assis era um costumeiro frequentador da Biblioteca…Dava para imaginar  o mulato lendo em um canto do grande salão…

Do lado direito para quem entra, havia uma exposição pequena sobre a épica e pioneira travessia por avião feita pelos pilotos Sacadura Cabral e Gago Coutinho que se atreveram a cruzar o Atlântico, de Portugal para o Brasil, inaugurando a futura rota  para a Europa.

Para quem gosta de História, Arquitetura e Arte, o Real Gabinete Português de Leitura é imperdível. Um programão altamente recomendável.

foto- Moreno.


Esse é o cara que inventou o Brasil.

Dom João VI

Fui ao Rio de Janeiro para esfriar um pouco a cabeça. O clima ajudou bastante nos dois dias, pois choveu pacas. Aí resolvi fazer um programa que uma grande parte  dos cariocas fazem  em São Paulo. Ir aos museus e centros culturais. Valeu a pena. Vi uma exposição quer é uma verdadeira  aula de História do Brasil no Museu Histórico Nacional. Conta os primórdios da formação da colônia,  os processos que levaram a Independência e a  República…, desde o descobrimento até os dias atuais. Andei pelo centro antigo do Rio e constatei que muito do que foi construído e institucionalizado na cidade e na nação, foi criado por dom João VI. O então príncipe regente de Portugal, aportou com sua corte na colônia brasileira em 22 de Janeiro de 1808, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte que  havia invadido as terrinhas portuguesas. Sob a tutela da marinha inglesa ele chegou em Salvador, onde seu primeiro ato foi o de  decretar a abertura dos portos a todas as nações amigas, favorecendo o comercio com a Inglaterra e interrompendo o Pacto Colonial. Da capital baiana ele navegou até  o Rio de Janeiro , onde resolveu estabelecer a corte de Portugal e anos mais tarde fundou o reino de Portugal, Brasil e Algarves. Praticamente foi ele quem  criou o Brasil ao tomar  várias medidas como a criação do Banco do Brasil, o Jardim Botânico do Rio,a Academia Imperial de Belas Artes, a Biblioteca Real,os Correios,o Museu Real,a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Casa da Moeda,a Imprensa Régia, o Observatório Astronômico, o Real Erário (atual Ministério da Fazenda) e etc…Ele também patrocinou a vinda da Missão Artística Francesa com Debret , Taunay e uma porção de artistas e arquitetos. Investiu também em armamentos e em pequenas indústrias e mais um montão de coisas. A imagem que nos é passada pelos historiadores é que Dom João VI era um bonachão, meio tolo e um guloso devorador de frangos, alem de obviamente ser acusado de covarde por ter fugido de Napoleão. Eu particularmente acho que ele foi uma velhaca raposa que esperou o tempo certo para ver  Napoleão  ser derrotado pelos ingleses e depois retornar a Portugal como rei, fato que foi coroado no Brasil em 06 de Fevereiro de 1818 na cidade do Rio de Janeiro. Foi o único monarca em toda a História a ser coroado nas Américas.

Vale destacar  também as grandes telas dos pintores expoentes da História do Brasil como  Victor Meirelles e Pedro Américo.

Quadro do Combate Naval do Riachuelo – autor- Victor Meirelles.

Quadro de Dom João VI – autor – José Leandro de Carvalho.

 


Vem aí o ínicio da série Arte no Rio.

 

 

 

Aos poucos voltando a normalidade, vou iniciar uma série de posts sobre arte no Rio de Janeiro.Rapidamente  vão rolar assuntos bem interessantes. …

foto-Franklin Nolla