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É aqui que eu encontro a paz absoluta.

no cume-passoQuando eu estava no hospital, eu aproveitei um cochilo da minha filha e dei uma “zappeada”na TV. Parei acho que na Globonews  no exato momento em que  o personagem de um documentário,  o grande jornalista  Joel Silveira, já falecido,   disse que uma das maiores imbecilidades da vida é uma  pessoa ser um  alpinista. Balancei a cabeça e não concordei, mesmo não sendo um alpinista, mas sendo apenas um admirador das montanhas de grande altitude . É que ele  não teve a felicidade de sentir o Divino, de se deixar levar pela emoção de conquistar o cume de uma  montanha ,de andar no passo sagrado em cima de um cume ( -La-) ,de  conviver com os  povos que moram perto do céu. Nessas ocasiões eu me afasto das pessoas e de tudo que me faça lembrar  a civilização  e por mais ou menos meia hora, como em uma meditação,  me deixo levar pelas ondas energéticas e vibrações emanadas pelos gigantes de pedra. (não é a toa que os sherpas chamam o Everest de Sagarmatha ou Chomonlugma (Deusa Mãe Terra). A sensação é indescritível. Ouvir as nuances dos sons  dos ventos,  cheirar os humores da terra,  acompanhar os rasantes dos falcões e se tiver sorte,  se maravilhar com faisões imperiais. Pisar no gelo, tirar as botas , deixar os pés respirarem, comer um delicioso sonho de valsa e sonhar com uma vida melhor. Simples, muito simples. Depois fotografar, fotografar e  fotografar  e finalmente  chamar o guia e retomar a caminhada. Existe preço para isso?  Para mim, não. Aprendi  a amar e a respeitar as montanhas.Em troca, elas  me dão a paz que eu preciso.

Text and Picture by Franklin Nolla- Ladhak-Índia-Himalayas

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Onde você estava em 20 de Julho de 1969 ?

Provavelmente a maioria de vocês ainda estavam no projeto  da engenharia da criação……….Nessa data eu estava na frente de um televisor  preto e branco ,Invictus de 21 polegadas, na casa da minha avó ( a primeira pessoa  da rua a ter uma tv no ano de  1957 ) , impaciente , nervoso, roendo as unhas e torcendo  para que esse cara que está sorrindo na foto, desse o primeiro passo de um ser humano na superfície da Lua. Neil Armstrong , o pioneiro astronauta a pisar na Lua, doou aos homens uma célebre frase  ” um pequeno passo para um homem e um grande passo para a humanidade “.  Enquanto eu estiver por aqui , eu jamais me esquecerei desse mágico dia.O mundo inteiro parou para ver  ao vivo as imagens  geradas pela NASA. Eu me sentia  como se o Brasil tivesse ganho mais um campeonato mundial de futebol. Pura felicidade. Pareceu  uma premonição , porque em 1970 , o Brasil faturava o tri no México, com a melhor seleção de futebol da História.

Sempre fui um menino ligado `as aventuras espaciais. Desde o primeiro voô sub-orbital , quando eu já era alfabetizado, não parei mais  de ler e de me informar sobre a saga humana no espaço . Batman, Fantasma,Superman,Capitão América e outros que tais , jamais pertenceram ao meu pequeno panteão de heróis. Os meus heróis são de carne e osso. Yuri Gagarin e Neil Armstrong, que foram rivais na corrida espacial para colocar o primeiro humano na Lua, agora devem estar juntos , em outro plano, contando os segredos de cada programa espacial e saboreando o imenso bem que fizeram para pequenos sonhadores  como eu,  que gostariam e dariam todos os bens materiais em troca de um singelo passeio na Lua e  no espaço sideral.

Adeus Neil Armstrong. Sua família fez um pedido muito singular. Que cada ser humano que observar a Lua, dê uma piscadela com os olhos em homenagem a Armstrong . Eu sugiro mais um pouco. Que cada um de nós ao observarmos uma  linda noite de céu estrelado, passemos a dar também uma  piscadinha para Gagarin, pois ele foi o cara que abriu as portas do céu para o infinito.

Pictures by NASA.


EU CELEBRO A VIDA.EU AMO A VIDA.EU FOTOGRAFO A VIDA !!!!!!!

ou, COMO EU DEIXEI DE SER UM CORRESPONDENTE DE GUERRA.

Ontem  eu assisti a um doc na TV Cultura sobre um fotojornalista  sensacional que cobre as guerras  e os conflitos étnicos ao redor do mundo  para a revista alemã “Stern”. James Nachtwey ,de um modo peculiar,  fotografa as atrocidades das guerras  e  denúncia ao mundo  a imbecilidade  e a insensatez dos envolvidos nos conflitos. Suas fotos são de arrepiar e de deixar o espectador atônito. Eu fiquei muito chocado com o que eu vi. As imagens ficaram na minha cabeça o dia inteiro…Um pesadelo acordado…    Isto me fez refletir um pouco sobre o meu passado…..Eu era um  jovem com ideais e  concepcões libertárias ( Chê era meu ídolo). Eu tinha o sonho de ser um correspondente de guerra no Vietnã . O meu orientador  nas artes fotográficas , Jean Solari, era um dos grandes fotógrafos da extinta revista Realidade . O seu colega , o jornalista e repórter  José Hamilton Ribeiro, fazia dupla com ele e  era  muito conceituado na época. Um belo dia, José Hamilton, resolveu junto com a Editora Abril, ir cobrir a guerra do Vietnã. Na sua chegada ao “front” de batalha, ele pisou em uma mina terrestre que explodiu , levando um pedaço da sua perna que  infelizmente  teve que  ser amputada. Para mim e para uma grande parcela dos leitores da revista, foi um trauma tremendo. Meu sonho acabara de ruir. Eu definitivamente não queria morrer ou ser mutilado em uma guerra. Daquele dia em diante, eu me voltei contra as tragédias  e o lado negro da vida. Eu passei a fotografar a vida e a enaltece-la. Tenho a consciência de ser um positivista e de preferir fotografar o lado branco da vida, o lado da luz…. A foto acima representa bem o meu estado de ser. Ela foi clicada em  um rio de degelo na Cachemira, no território de guerra entre a Índia e o Paquistão, nos contrafortes dos Himalaias.Naquele dia, no intervalo de um armistício, indo contra os meus princípios,  tentei várias vezes mirar a minha câmera para fotografar os blindados do exército da Índia que se camuflavam no meio da vegetação, mas vislumbrava de viés pela minha teleobjetiva que era eu que estava sendo mirado pelas metralhadoras e pelos fuzis AR 15.Algo falou dentro de mim para desistir disso porque poderia me dar mal nessa situação. Virei as costas para o arsenal bélico e caminhei até o pequeno riacho e vi a alegria da molecada brincando nas águas geladas. Fiz alguns cliques e escolhi esse para homenagear `a vida,`as crianças e a mim mesmo…. É isso.

Picture by Franklin Nolla.

PS- Algumas horas após ter escrito esse texto, recebi  a notícia de  que dois jornalistas ocidentais haviam sido mortos na cidade sitiada de Homs na Siria pelas forças do presidente  Bashar Al-Assad.  Marie Colvin,americana, e Remi Ochlik, francês, eram veteranos repórteres de guerra no oriente Médio e em outros locais de conflitos. A casa  em que estavam abrigados em Homs fora severamente bombardeada por morteiros e mísseis. Segundo relatos da jornalista, antes de morrer , a população civil de Homs, estava  sendo massacrada  pelos  bombardeios e atiradores de elite das tropas leais ao governo.


O sonho acabou.

No ano de 1980, John Lennon foi assassinado por um imbecil norte-americano. Os jornais da época estampavam em suas manchetes ” O sonho acabou”. Eu relembrei o fato do sonho acabar exatamente na quinta-feira próxima passada quando o ônibus espacial Discovery  retornou de sua última viagem, ao fazer o trecho de volta da ISS- Estação Espacial Internacional para a Terra. A espaçonave vai virar péça de museu após longos anos de serviço prestados a NASA. Os próximos a serem aposentados serão o Atlantis e o Endeavour. O Discovery foi o recordista com 39 missões, 238 milhões de quilômetros e 27 anos consecutivos de serviço.

Então por que o sonho acabou ?

Quando eu era um adolescente, acompanhei e vibrei com a corrida espacial entre os EUA e a URSS para ver quem levaria o primeiro homem `a lua. Os americanos chegaram lá com  Neil Armstrong. Foi um grande momento para a humanidade. Eu fiquei imaginando que um dia poderia estar lá também . A empresa aérea Pan Am – Panamerican Airlines chegou a vender vários tiquetes para viagens espaciais.Muita gente acreditou nisso. Tive um cunhado que comprou o bilhete do sonho da vida dele.Infelizmente a Pan Am faliu. Um enorme rombo no sonho. Depois a URSS se desintegrou e o programa espacial soviético foi para o “espaço”. Posteriormente com a chegada dos ônibus espaciais, um alento me fez sonhar de novo. Imaginei que com a nova tecnologia , quem sabe um dia poderia estar abordo de uma espaçonave. Ledo engano. As crises econômicas e as guerras atrapalharam o desenvolvimento dos programas espaciais norte- americanos. A NASA tem como objetivo levar o homem a Marte e a um asteróide em vôos interplanetários. Os ônibus espaciais então foram descartados por já estarem muito velhos e desgastados. Não houve investimento no setor. Para os astronautas americanos irem a ISS, agora terão que pegar “carona” nas “velhas latas de sardinha” Soyuz da Russia. Portanto, para mim que já estou com um bocado de  idade, não dá mais tempo para que a iniciativa privada tome o lugar da agência espacial norte-americana e lance uma nave para orbitar a Terra. The dream is over.

foto- Discovery by NASA.