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O dia que Nova York tremeu.

Fui fazer um trabalho nos States e aproveitei alguns dias para passear na Big Apple. Naquele dia, o calor  não estava tão intenso e resolvi fazer um programa de índio. Peguei o ônibus vermelho e fui fazer um sight seeing em Manhattan Uptown. Passei pelo Central Park e  fomos ( eu e um monte de turistas) ao Harlem e logo depois cruzamos a ponte em direção ao Brooklin. Foi um passeio meio  chato mas em contrapartida muito barato pois pude   conhecer outros lugares da cidade fora do circuito Mid Town mais Broadway, gastando pouca grana. De táxi ia sair uma nota.Depois da longa jornada, desci em Times Square e fui caminhando e fotografando até o meu hotel que ficava no bairro coreano de  NYC.  De repente começei a sentir uma vibração estranha entre as pessoas. Muita gente com cara preocupada e um monte de nego dormindo ao lado de  suas malas no meio das calçadas que tem mesinhas e banquinhos para descansar. Fiz alguns clicks das pessoas dormindo ou conversando e havia alguma coisa no ar que eu não estava entendendo. Por que nesse dia tinha tanta gente nas ruas e tanta gente dormindo em plena luz do dia?Fiquei cabrero. Caramba! O que está acontecendo?. Resolvi desencanar e fui comprar o ticket para ver   “Priscila, a rainha do deserto”. Fui para o hotel e liguei a tv. Comecei a assistir cenas de uma conferência na ONU e vi um monte de pessoas saindo correndo do recinto. A camera começou a mostrar o local chacoalhando muito. Terremoto em Manhattan dizia o âncora do telejornal. Não acreditei. Mudei para outro canal e vi a confirmação .Pô, eu estava na rua e não senti nada . Nada tremeu ou oscilou. Como pode um lado da cidade estar tranquilo e o outro tremendo e chacoalhando? Graças a Deus e ao meu anjo da guarda, não passei e nem presenciei nenhum reflexo do terremoto. Tomei banho, coloquei uma roupa mais formal e fui dar muitas risadas com as aventuras das drags no deserto da Austrália. Só que com uma condição : um olho no palco e o outro na saída de emergência. The show must go on e a minha  vida continua também….

foto-Franklin Nolla.

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O maior pesadelo de todos os pesadelos.

A primeira vez que vi o mar eu tinha 5 anos. Foi na Praia Grande , na época totalmente selvagem, um paraíso ecológico perto de Santos. A mata Atlântica encostava na areia. Havia só algumas pequenas casas de caiçaras, sendo que em uma delas morava uma tia eremita. Nesse cenário eu tive o primeiro de uma série de pesadelos que me acompanhou até eu atingir a idade adulta. Sonhava que sempre uma onda gigantesca varria tudo que encontrasse pela frente, menos eu e a minha avó , que por algum fator extra natural, saíamos a correr sem que a monstruosa onda nos atingisse e aí eu acordava super assustado. Vários analistas e  respectivas explicações afastaram de mim o referido pesadelo. Já como um jovem adulto aprendi o que era uma tsunami. Só que não tinha visto nenhuma até o terremoto da Indonésia em 2004. Havia visitado a Tailândia em 2003 e vi a bonita cidade litorânea de Puket ser arrasada em 2004. A partir dessa data, percebi que a realidade de uma tsunami era assustadoramente maior do que eu havia sonhado.Fiquei pasmo com a violência e o estrago que as ondas gigantescas fizeram agora no Japão. É impressionante as cenas de barcos,  carros , casas, galpões, trens, aviões sendo arrastados e destruídos pelas ondas.  Li que a energia liberada pelo terremoto foi equivalente a milhares de bombas atômicas como a de Hiroshima. Em 1945 foi a bomba A e agora o terremoto de 8,9 graus Richter. Uma grande  sofrimento para o povo japonês. Constatei que a realidade da tsunami é muito pior que a do meu pesadelo.

Foto-Reuters.

Texto-Franklin Nolla.


Os tibetanos e chineses precisam de muitas orações e mantras.

Há alguns anos atrás, eu estive caminhando e visitando o Tibet e o  platô tibetano. Nas duas vezez que entrei em contato com a população local,  senti uma grande simpatia ao conhecer  um povo pacífico,  religioso e ordeiro, composto na maioria por monges budistas e pelos seus familiares. Infelizmente um terrível terremoto ceifou mais de 2000 vidas e deixou por volta de 12.000 desabrigados até o momento na provincia chinesa (com população tibetana) de Qinghai. A região de Yushu foi completamente devastada. A altitude média é de  4000 mts e a região é muito distante de cidades com centros comerciais (12 horas ). Isso dificulta muito a logística da ajuda e do socorro as vítimas organizadas pelo governo chinês, que está tentando atender a população mais rapidamente. Os noticiários divulgam que monges estão escavando os destroços das construções, onde as pessoas possam estar soterradas,  com as próprias mãos. Apesar das rivalidades entre as etnias ( tibetanas ) e (han chinesas), vê-se que todos estão solidários para poderem  resgatar as pessoas que ainda estão vivas, embaixo de toneladas de concreto. Para nós aqui no Brasil,  só podemos fazer doações (organizadas por templos budistas como o Nyngma) e orações para amenizar o sofrimento desse povo.

foto- Franklin Nolla.