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A morada de Macunaíma (Mt Roraima)

Para os índios da tríplice fronteira, Brasil, Venezuela e Guiana, o monte Roraima é a morada do deus Macunaíma. O local é sagrado , místico e repleto de lendas, e como em  todo lugar mágico , como nos contos dos irmãos Grimm, há sempre uma luta  entre o bem e o mal. Este foi o meu  último e dificílimo trekking ,  repleto de  “perrenques”  horríveis …… Mas …….o que passou, passou …..e hoje  sinto saudades do misterioso Mt Roraima, com suas chuvas repentinas e calor escaldante, com sua beleza estonteante e sua natureza peculiar e primitiva, com as nuvens entremeando os paredões, ora belos e ora sombrios, que parecem evidenciar que a qualquer momento pode haver uma aparição do deus deles, o Macunaíma.


Os sons do céu. Sky sounds.

Essa é a banda que toca mais alto na Terra. Totalmente surreal.  Estavam tocando músicas tibetanas a 4.600 mts de altitude quando eu voltava do Mt. Everest. Estava eu andando isolado na trilha quando de repente apareceram essas “ets” batendo tambores e cantando mantras tibetanos. Após a performance musical mais alta do mundo, passaram um chapéu pedindo  uma grana. Foi a gorjeta mais “alta” que eu dei na minha vida.  Com essa imagem acima das nuvens,  quero brindar com vocês o novo ano que está chegando.

FELIZ 2012 PARA TODOS. HAPPY NEW YEAR.

Muito obrigado por terem visitado o meu blog. Thank you for having visited my blog.

Picture by Franklin Nolla .

ps- Essa simples foto foi muito marcante para mim na ocasião do trekking ao Campo Base do Monte Everest- Nepal. Foi um dia feliz e  de glória.


Sob intervenção divina. Mt Roraima 2.

Caros leitores,  convido vocês a compartilharem  um breve “remake” da minha viagem ao Mt.Roraima. Em abril de 2010, escolhi a mística montanha para fazer um trekking especial para comemorar o meu  último ano cronológico da minha meia idade . Não  podia supor que hoje comemoro meu primeiro ano de vida após ter sobrevivido `a  árdua caminhada. Graças a Jesus Cristo, ao meu fiel anjo da guarda e a minha querida filha, estou vivo e ileso, depois de passar por  maus momentos causados por questões paralelas com os nativos  venezuelanos. Deixando de lado as agruras da expedição, o que eu quero é contar a ótima sensação de ter conseguido chegar ao topo da montanha e de ter visto as belezas naturais exóticas da grande  “mesa”  dos 3 países – Venezuela,Brasil e Guiana.

O GIGANTESCO TEPUI

O monte Roraima faz parte do complexo dos Tepuis (montanhas em forma de mesas) venezuelanos, encravados no meio da estepe, características de campos gerais  com vegetação rala. A maior parte  do Mt Roraima fica na Venezuela.  O  ponto de partida para chegar ao Roraima é a cidade de Sta Helena. O acesso por terra é  feito de carro 4X4  até  o  Parque Nacional Venezuelano em pleno território  indígena. Na aldeia de Paratepuy, os aventureiros encontram os índios que irão se juntar aos guias para auxiliar na logística do trekking.

A BOTA COM BOCA

Mochila nas costas , ” sebo nas canelas” e a aventura começa na parte da manhã. Horas e horas de caminhada em trilhas com suave inclinação até que finalmente por volta das 12 horas começa o trecho de ganhar altitude. Aí o bicho pega, pois o calor intenso e o sol escaldante começam a minar a minha  resistência física. Para “ajudar” a minha bota super-special que tanto me ajudou e deu segurança em outros trekkings , abriu literalmente o bico, os dois pés descolaram o solado ao mesmo tempo, em um caminho seco e pedregoso cercado de lindas samambaias, que não pude apreciá-las como deveria. Então começou o meu drama, caminhar lentamente, sem água e  com o sol me queimando, sem protetor solar e almejando o meu  tênis reserva que estava com um índio carregador , centenas de metros a frente e que me monitorava visualmente, porque eu estava atrasado por estar fotografando a bonita flora do caminho. Eu gritava e acenava para ele e ele não me via. Até que passou um outro índio por mim e o  avisou. Coloquei o calçado e carreguei o meu cantil até o ponto de pernoite.

O QUEBRA GALHO

No dia seguinte, segui por um caminho sinuoso em uma floresta tropical , sempre subindo, onde fiz  belas fotos da vegetação e das flores que permeavam o caminho.Cheguei em um trecho extremamente pedregoso, com pedras enormes que rolaram montanha abaixo, provavelmente  causadas por chuvas torrenciais que as  levaram ao desmoronamento. Comecei a escorregar feito um sabonete em uma banheira. O meu tênis não era apropriado para chuva. O que me deu uma valiosa ajuda foram os galhos secos de pequenas árvores que margeavam a trilha e que me serviam de apoio para poder fazer uma alavanca com os braços. Finalmente atinge o cume, já bastante exausto. Comi uma barra de cereal, um pedaço de abacaxi fornecido pelo guia e então veio o dilúvio. A temperatura caiu abruptamente. Como a montanha é de forma trapeizodal, ela é enorme em extensão e largura, um mundo a parte e um ecossistema também a parte, jamais visto por mim em  viagens ou em qualquer material informativo. Daí eu vi um pouco do mundo perdido de Conan Doyle. Cheguei ao “hotel” (pequenas cavernas que servem de abrigo para se montar as barracas de acampamento) para fazer o pernoite.

O DILÚVIO E O SOL

No dia seguinte, saí bem cedo em direção a proa da montanha, debaixo ainda de uma bruta chuva. Resultado – o meu tênis começou a descolar o solado. O pior que podia acontecer, aconteceu. Dificuldade para andar. Um amigo emprestou uma silver tape e passei em volta do pé do tênis para ele não se desintegrar.Funcionou razoavelmente bem até o fim da caminhada. Arre!  De repente a chuva parou e imediatamente abriu um maior solão. A temperatura saiu dos oito graus e foi parar  nos trinta graus. A montanha se descortinou `a  minha frente. Formações rochosa vulcânicas que pareciam seres de outro planeta aguçavam a minha imaginação. Bichos , pessoas, monstros, aves eram avistados frequentemente. De repente, após uma elevação do terreno, pude apreciar uma das vistas mais bonitas da minha vida. Um jardim japonês ao natural e na escala real, fascinava os meus olhos. Enormes bonsais emolduravam pequenos riachos com mini cachoeiras formadas  pelas chuvas.Ao o redor, a  vegetação alta com folhas vermelhas, abóboras e amarelas , entremeadas de folhas verdes, davam o tom impressionista `a paisagem. Um grande barato visual. Ok. Foto aqui. Foto ali. E txantantantxamtam  – O Dilúvio outra vez. Ponho toda a roupa e 5 minutos depois tiro de novo. Toca a andar para o vale dos cristais. Inúmeros dilúvios e sol depois, chego ao vale. Uma beleza. Cristais, eu escrevi cristais, serpenteiam o caminho e a terra fica branca, como se tivesse nevado. É de babar. Lindo de novo….. Acabou o dia.

PARAÍSO X INFERNO

O inferno chegava a noite, todas as noites.. O paraíso todos os dias. El Fosso, Roraiminha, a Triplice Fronteira, Lago Gladys  e a Proa  fizeram parte dos dias restantes no cume…lugares belos e mágicos…. A volta  atribulada foi guiada por Deus. O meu corpo estava em frangalhos, a minha saúde afetada  e o meu estado psicológico também…. Foi uma longa e dolorida jornada… . Em Boa Vista,   tive a percepção que tinha passado por uma grande provação e que bravamente  havia vencido todas as mazelas da aventura.

foto-Franklin Nolla.

PS- Para quem tiver curiosidade sobre a aventura no Roraima- veja detalhes nos posts escritos de Abril de  2010 ou vejam mais fotos no   http://www.flickr.com/photos/fknolla


Um show no meio do nada.

Estava andando na trilha que vai da região do vale do glacial do Khumbu até Namche Bazar em um trecho bem árido, quando de repente apareceram essas mulheres fazendo uma batucada tibetana. Não acreditei que naquele lugar ermo,  alguém se dispusesse a fazer qualquer coisa. Achei o maior barato , curti pacas e ao final da mini apresentação , elas passaram o boné e me pediram uma contribuição. Peguei umas rúpias nepalesas e dei para elas. Ficaram meio putas da vida e me pediram dólares.Fiquei um pouco constrangido e dei  5 dólares. Algumas sorriram e passaram a grana para a chefe do grupo, que pegou as minhas verdinhas e adicionou a um bolo de dólares que tinha no bolso. elas já tinham faturado um bocado. Para mim o show foi legal e elas se continuaram  com o ofício, já devem estar com uma boa grana,  em relação  ao padrão econômico local.

Namaste, thank you, sir. Com essas palavras desapareceram na vastidão das montanhas.

foto- Franklin Nolla.


Agora é prá valer

Após deixar a aldeia índigena, comecei a longa jornada rumo ao cume do Mt.Roraima. Estava um pouco ansioso e feliz por poder admirar a bela paisagem. No final da  tarde  a temperatura era amena e o sol aquecia na medida certa o corpo ainda cheio de energia para encarar qualquer obstáculo que viesse. Por enquanto parecia um lindo passeio e consegui superar a distancia de mais ou menos 14 km até o primeiro acampamento  no rio Tek sem grandes esforços. Um bom banho de rio com água tépida me esperava. Com a fome de leão que eu estava, eu mandei ver no macarrão que , naquela circunstancia, estava apetitoso. Fui para a barraca cedo, pois sabia que o dia seguinte seria bem puxado.Poucos minutos se passaram e percebi que teria que abstrair bastante para conseguir dormir com o ronco leonino do meu colega da barraca ao lado. Demorei para apagar e dormi muito pouco.

fotos: Franklin Nolla